Mundo
Governo espanhol garante total clareza sobre acidente de trem
Pedro Sánchez, presidente do governo espanhol, garantiu nesta segunda-feira (19) total clareza a respeito das causas do acidente entre dois trens que ocorreu no domingo no sul da Espanha e resultou em pelo menos 40 mortes, número que ainda pode aumentar.
O balanço oficial da tragédia na região da Andaluzia passou para 40 mortos durante a tarde, um aumento de uma vítima, e levará de um a dois dias para que um número definitivo seja estabelecido, informou o presidente da região, Juan Manuel Moreno Bonilla.
“São atualmente 40 mortos”, afirmou em entrevista coletiva em Adamuz, Córdoba, local do acidente, acrescentando que serão necessárias “24 a 48 horas” para confirmar o número final de vítimas deste terrível acidente.
Mais de 120 pessoas ficaram feridas, das quais 41 permaneciam hospitalizadas no final da tarde e noite desta segunda-feira em diferentes hospitais de Córdoba, segundo o presidente regional.
O desafio principal para definir o balanço é o acesso a dois vagões do trem, que caíram de grande altura e ficaram completamente destruídos.
“Chegou um equipamento para montagem de uma grande grua na área do acidente, mas a operação deverá ser lenta, pois será necessário remover muitos destroços para levantar os vagões do trem da Iryo, onde podem haver pessoas falecidas”, explicou o presidente da Andaluzia.
Quando os vagões forem acessados, será possível determinar com exatidão o número de mortos.
Enquanto isso, familiares buscam por seus entes queridos por meio de mensagens nas redes sociais.
O que aconteceu?
O acidente ocorreu às 19h45 locais (15h45 de Brasília) de domingo, perto de Adamuz, aproximadamente 200 km ao norte de Málaga. Um trem da empresa privada Iryo descarrilou durante a rota de Málaga a Madri, com cerca de 300 passageiros, e colidiu com um trem da companhia pública Renfe, que seguia de Madri para Huelva, transportando 184 pessoas.
A investigação inicial sugere que os últimos vagões do trem da Iryo descarrilaram e outro trem que vinha na direção oposta colidiu contra eles.
“A locomotiva do trem que seguia de Madri a Huelva colidiu com um ou mais desses vagões que estavam atravessados”, disse o ministro dos Transportes, Óscar Puente. O impacto foi tão forte que os dois primeiros vagões do trem Madri-Huelva foram projetados para fora da linha.
A Iryo informou que o trem foi fabricado em 2022 e teve sua última manutenção em 15 de janeiro.
Causas ainda não esclarecidas
Pedro Sánchez afirmou: “Queremos assegurar à população espanhola que a verdade será descoberta e que, quando soubermos a origem desta tragédia, divulgaremos com total transparência e clareza”.
O acidente ocorreu em um trecho de via completamente renovada e é considerado “muito estranho” pelo ministro Óscar Puente.
“Especialistas ferroviários estão intrigados com este caso”, disse.
O presidente da Renfe, Álvaro Fernández Heredia, afirmou que uma falha humana é pouco provável e descreveu o acidente como incomum.
Também não parece estar relacionado a excesso de velocidade, pois um trem circulava a 205 km/h e o outro a 210 km/h, ambos dentro do limite de 250 km/h para este trecho.
Espanha em luto
O país amanheceu em choque nesta segunda-feira, especialmente na cidade de Adamuz.
“Assim que soubemos, começamos a levar água, cobertores e o que pudemos ajudar”, relatou Manuel Muñoz, um trabalhador local. “Depois saímos para não atrapalhar os profissionais”, completou.
“É uma tragédia”, disse José Pérez, aposentado de 80 anos. “Somos um povo pacífico e trabalhador, e isso nos abala profundamente”.
A família real espanhola planeja visitar a região na terça-feira.
Pedro Sánchez declarou três dias de luto oficial no país, de terça-feira à noite até sexta-feira à noite, reconhecendo este como um momento de dor para toda a Espanha.
Em julho de 2013, a Espanha viveu outra tragédia ferroviária grave com o descarrilamento de um trem próximo à cidade de Santiago de Compostela, no noroeste, que resultou em 80 mortes.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login