Notícias Recentes
Governo pressiona Haddad e mobiliza ministros para fortalecer candidaturas
Enfrentando desafios para montar coligações fortes nos estados mais importantes, o governo tem aumentado a pressão para que o ministro Fernando Haddad dispute o governo de São Paulo, ao mesmo tempo em que confirma a candidatura ao Senado da ministra do Planejamento, Simone Tebet.
Essa movimentação integra a estratégia do Palácio do Planalto de garantir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegue às eleições com apoios firmes nas regiões de maior peso eleitoral do país.
A principal preocupação do governo é impedir que Lula fique com alianças frágeis em estados com grande peso nos votos, o que poderia prejudicar sua campanha à reeleição. Para isso, o governo busca atuar localmente, evitando que partidos de centro que participam do governo se unam às candidaturas bolsonaristas. Como a formalização dessas ligações está difícil, a tática tem sido conversar com setores dessas legendas para impedir que formem alianças estruturadas com adversários.
Um aliado próximo de Lula, sob sigilo, contou que o presidente não quer correr riscos e pretende colocar ministros influentes em missões regionais, principalmente em áreas estratégicas. A ideia é ter um “banco de reservas” com nomes fortes para as disputas locais.
Em entrevista recente, o ministro Camilo Santana (Educação) pressionou e disse que Haddad não pode agir sozinho na decisão sobre sua candidatura. Apesar do atual ministro da Fazenda ter afirmado que não deseja concorrer, o PT segue considerando Haddad como principal opção para o governo paulista e avalia que Lula tem avançado em seu convencimento.
Haddad destacou que quer ajudar na coordenação da campanha e na elaboração do programa de governo. Pessoas próximas ao presidente dizem que Lula não pretende impor uma decisão, mas sim buscar consensos.
A situação mais definida até agora em São Paulo envolve Simone Tebet. Após diálogos com Lula, ela aceitou disputar o Senado pelo estado e deve deixar o ministério até o fim de março para mudar seu domicílio eleitoral. No círculo próximo ao presidente, acredita-se que a presença de Tebet amplia o alcance eleitoral do palanque lulista, especialmente entre eleitores de centro.
Tebet é vista como peça-chave na chapa majoritária de São Paulo, enquanto Haddad permanece como principal pré-candidato ao governo. Ainda não foi decidido se ela continuará no MDB ou migrará para outra legenda da base.
O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, também é lembrado como uma opção para fortalecer o palanque em São Paulo. Alguns aliados sugerem que ele dispute o governo caso Haddad concorra ao Senado.
No entanto, Alckmin disse a interlocutores que não pretende disputar eleições. Já a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, tem se movimentado para disputar o Senado em São Paulo, dialogando com partidos da base e fora dela, o que pode intensificar a competição interna no campo lulista.
No Nordeste, Camilo Santana anunciou que deixará o MEC para ajudar a articular alianças e apoiar a reeleição do governador Elmano Freitas (PT), que enfrenta a ameaça do PSDB. Caso Elmano não avance nas pesquisas, Camilo é cotado para concorrer ao governo — Lula já disse a assessores que não aceita perder o Ceará.
Em 2024, Fortaleza foi a única capital conquistada pelo PT, com a vitória de Evandro Leitão sobre o bolsonarista André Fernandes (PL). O êxito foi atribuído à forte articulação de Camilo Santana.
Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) enfrentará o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil). O ministro Rui Costa (Casa Civil) deve deixar seu cargo em abril para disputar o Senado, mas discute-se a possibilidade de que ele busque o governo caso Jerônimo tenha dificuldades.
Aliados ressaltam que o Nordeste foi a única região em que Lula superou Bolsonaro em 2022 e consideram fundamental repetir esse desempenho. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a esquerda espera não obter maioria, mas quer reduzir a diferença eleitoral.
No Paraná, Lula escalou a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) para disputar o Senado. Inicialmente, ela buscava reeleição na Câmara, mas a pedido do presidente, tentará a Casa Alta para fortalecer a chapa em um estado considerado difícil.
Desde que assumiu o ministério, Gleisi intensificou o diálogo com lideranças regionais para estreitar laços do governo com partidos estratégicos. Sua equipe prepara um mapeamento das candidaturas competitivas e possíveis alianças.
Um aliado resume que o plano de Lula é formar o melhor time nos estados e reabilitar nomes fora da política, desde que tenham potencial eleitoral.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login