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Grande manifestação no Dia da Mulher contra medidas de Milei na Argentina

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Milhares de pessoas participaram nesta segunda-feira (9) na Argentina de uma grande manifestação pelo Dia Internacional da Mulher, marcada por cantos, bandeiras roxas e cartazes contrários ao governo de Javier Milei. O ato foi convocado um dia após a data, permitindo uma greve das mulheres.

Em Buenos Aires, uma grande multidão marchou do Congresso até a Plaza de Mayo, sob o lema de rejeitar os cortes e as políticas que promovem a fome adotadas pelo governo ultraliberal.

A reforma trabalhista implementada reduz as indenizações para os trabalhadores, autoriza pagamentos por meio de bens ou serviços, limita o direito à greve e permite jornadas de até 12 horas sem pagamento adicional de horas extras, entre outras mudanças.

A maioria dos participantes, compostos por mulheres, usavam lenços verdes e roxos, símbolos das lutas feministas, além de exibirem bandeiras do orgulho LGBTQIA+, tambores e cartazes clamando por justiça para vítimas de feminicídio e portando mensagens como “Nem uma a menos” e “Por que a militância feminista é mais odiada que um agressor?”.

“Esta é uma greve e uma mobilização contra as políticas de ajuste do governo de Javier Milei, poucos dias após a aprovação da reforma trabalhista que afetará as mulheres e grupos dissidentes”, declarou à AFP a ativista feminista Luci Cavallero. A medida aprovada recentemente pelo Congresso tem sido criticada como uma forma de exploração.

Em fevereiro, o Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação Contra a Mulher (Cedaw) alertou que a extinção do Ministério da Mulher pelo governo de Milei causou uma fragmentação das responsabilidades e uma diminuição da capacidade técnica para promover os direitos das mulheres.

Também foi destacado o corte de verbas da linha 144, que oferece atendimento emergencial para vítimas de violência doméstica, em um país onde a Defensoria Pública registrou 271 feminicídios em 2025 e 295 no ano anterior.

“É fundamental continuar lutando pelos nossos direitos, especialmente em um momento em que tantos direitos estão sendo perdidos com este governo”, afirmou à AFP Graciela, uma funcionária pública de 62 anos, que preferiu não divulgar seu sobrenome.

A celebração também enfrentou controvérsias na província de Misiones, no norte do país. A prefeitura da pequena cidade de Colonia Aurora recebeu críticas por distribuir baldes, vassouras e rodos durante um evento oficial na sexta-feira em comemoração ao Dia da Mulher.

Paralelamente, no domingo, o governo lançou um vídeo institucional que desvalorizava as políticas de igualdade de gênero.

Um relatório recente do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) revelou que as mulheres na Argentina têm uma remuneração média 26% inferior à dos homens e são responsáveis por oito em cada dez famílias monoparentais.

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