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Grupo tradicionalista na França insiste em ordenar bispos contra orientação do Vaticano
Desafiando o Vaticano, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X na França informou nesta quinta-feira (19) que continuará com a intenção de ordenar seus próprios bispos, mesmo sob risco de ser considerada cismática.
No dia 2 de fevereiro, esta comunidade católica tradicionalista, criada pelo francês Marcel Lefebvre, comunicou sua decisão de realizar novas ordenações episcopais em 1º de julho.
Após pressão para desistir do rito, que poderia acarretar “consequências graves”, o líder da comunidade, Davide Pagliarani, enviou uma resposta negativa ao Vaticano na quarta-feira.
“As ordenações são uma necessidade urgente para garantir a continuidade da Tradição”, declarou ele em carta ao cardeal Víctor Manuel Fernández, chefe do Dicastério para a Doutrina da Fé, que recebeu a liderança da Fraternidade em 12 de fevereiro.
O cardeal argentino ressaltou que uma ordenação sem a aprovação da Santa Sé “resultaria em uma ruptura definitiva na comunidade eclesial (cisma)” e prejudicaria o prosseguimento do diálogo.
Pagliarani afirmou em sua correspondência: “Não posso concordar com este cenário de retomada do diálogo, nem com o adiamento da data de 1º de julho”.
Ele também destacou que não há possibilidade de conciliar as divergências doutrinárias sobre os princípios adotados desde o Concílio Vaticano II (1962-65), que introduziu a Igreja na modernidade.
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi fundada em 1970 em Écône, nos Alpes suíços, perdeu sua aprovação oficial pela Igreja Católica cinco anos depois e ordenou quatro bispos sem autorização em 1988, o que levou à excomunhão imediata.
Essa excomunhão foi retirada em 2009 pelo papa Bento XVI, e seu sucessor, o papa Francisco, a partir de 2015, reconheceu a validade das confissões e casamentos realizados por padres da Fraternidade.

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