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Haddad acredita que humanidade vai reagir ao avanço da extrema-direita

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou confiança de que a humanidade não permanecerá inerte diante do crescimento da extrema-direita. Essa declaração foi dada durante o lançamento de seu livro “Capitalismo superindustrial – caminhos diversos, destino comum”, na manhã do sábado, 7 de abril, em São Paulo.

Com aplausos, Haddad ressaltou que seu novo livro traz uma perspectiva mais positiva comparada à sua obra anterior, escrita nos anos 1990, em que previa a crise do neoliberalismo, a inação da esquerda e o avanço da extrema-direita.

— Este livro é mais otimista porque a extrema-direita já está em ascensão, e não acredito que a humanidade ficará de braços cruzados. Tenho um otimismo cauteloso, junto com a esperança de que nos mobilizemos contra esse movimento e façamos algo significativo — afirmou o ministro.

Haddad explicou que seu ingresso na política foi motivado pelo desejo de encontrar soluções para construir uma sociedade melhor, e não para agradar a todos.

Durante o evento lotado, ele brincou que pode não ser comum um ministro escrever um livro que discute as bases do capitalismo com o objetivo de melhorar as condições de vida e promover a emancipação das pessoas.

— Quanto mais poder se acumula, mais distante você fica desse tipo de reflexão. É natural buscar proteção, pois se recebe críticas de todos os lados — da esquerda, direita, de cima, de baixo e até de dentro. Portanto, não é indicado. Mas, como entrei na política com compromissos firmes, não poderia deixar este cargo sem publicar essa obra, pois o objetivo da política é buscar soluções, e não agradar a todos. Isso é impossível, especialmente em um país como o Brasil — disse ele.

O lançamento aconteceu no Sesc 14 Bis, em São Paulo, e contou com uma conversa com o cientista político Celso Rocha de Barros, mediada pela historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz.

Sobre o livro

A obra revisita as pesquisas de mestrado e doutorado do autor, feitas nas décadas de 1980 e 1990, com o propósito de atualizar conceitos sobre a acumulação inicial de capital nas regiões periféricas do capitalismo. Publicado pela editora Zahar, parte da Companhia das Letras focada nas ciências humanas e sociais, o livro traz novas análises.

Fernando Haddad, que é também professor do Departamento de Ciência Política da FFLCH-USP, discute o conceito de capitalismo superindustrial em contraponto a tendências atuais do pensamento progressista, como as teorias sobre capitalismo cognitivo e tecnofeudalismo.

O texto centraliza-se nas trajetórias adotadas por diferentes países para alcançar o capitalismo moderno e nos desafios apresentados pela ascensão da China como potência global. O autor aborda temas como a aquisição primária de capital nas periferias do capitalismo, a incorporação do conhecimento como um elemento produtivo, além das novas configurações das classes sociais.

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