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Economia

Haddad sugere Guilherme Mello para diretoria no Banco Central

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a indicação de Guilherme Mello, secretário de Política Econômica da pasta, para assumir uma cadeira na diretoria do Banco Central do Brasil, conforme informações de fontes governamentais. A notícia foi inicialmente divulgada pela Bloomberg e confirmada pelo GLOBO.

A proposta foi discutida entre os dois durante um almoço por volta do dia 14 de janeiro. Na refeição, além da sugestão para o Banco Central, conversaram durante aproximadamente três horas sobre as eleições em São Paulo, nas quais o presidente apoia a candidatura do ministro ao governo estadual, entre outros assuntos da agenda presidencial.

Nos bastidores, essa movimentação é vista como uma estratégia de Haddad para posicionar um nome de sua confiança técnica dentro da cúpula da autoridade monetária. Guilherme Mello atualmente lidera a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, responsável pelas projeções oficiais de inflação, crescimento e resultado fiscal que orientam as decisões e propostas do governo.

Essa área é fundamental, pois produz os cenários e simulações usados na formulação e ajuste das medidas econômicas e na resposta a choques externos.

A possível nomeação acontece em um momento em que duas vagas na diretoria do Banco Central estão sem ocupantes desde o final do ano passado. Uma delas é a Diretoria de Política Econômica, atualmente comandada interinamente por Paulo Picchetti, diretor de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos.

Essa diretoria é responsável pelos cenários macroeconômicos que sustentam as decisões sobre a taxa de juros e pela elaboração dos documentos técnicos principais do Comitê de Política Monetária (Copom).

A outra vaga é a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, que supervisiona o sistema financeiro e conduz processos de resolução de instituições. Atualmente, o cargo está ocupado interinamente por Gilneu Vivan, diretor de Regulação.

Luiz Inácio Lula da Silva já acatou indicações de Fernando Haddad para o Banco Central em outras ocasiões, como no caso de Gabriel Galípolo, que deixou a Secretaria-Executiva da Fazenda para assumir uma diretoria no BC em 2023 e depois foi nomeado presidente da instituição.

Conforme avaliação de auxiliares do governo, o perfil de Guilherme Mello — com forte base acadêmica e experiência técnica — pode fortalecer a comunicação entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central, especialmente em um contexto em que o Palácio do Planalto reforça a integração entre política fiscal e monetária.

Nesta semana, Fernando Haddad elogiou publicamente Guilherme Mello, destacando-o como um dos economistas que mais acertaram nas projeções recentes.

Se confirmado pelo presidente, o nome ainda deverá passar por sabatina e votação no Senado Federal.

O GLOBO tentou contato com o governo federal e o Ministério da Fazenda, que não se pronunciaram oficialmente até o momento. Caso haja resposta, a reportagem será atualizada.

Perfil de Guilherme Mello

Com 42 anos, Guilherme Mello é economista formado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Especialista em macroeconomia, crescimento econômico e política fiscal, colaborou na criação de propostas econômicas defendidas pelo PT e se consolidou no governo como um dos principais técnicos da equipe de Fernando Haddad. Seu perfil alia sólida formação acadêmica com atuação prática na elaboração de cenários e no desenvolvimento de políticas públicas.

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