Centro-Oeste
HUB procura voluntários para projeto que evita diabetes tipo 2
A mudança de hábitos é essencial para prevenir o diabetes. Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) estão recrutando voluntários para o programa Proven-dia, que ocorre no Hospital Universitário de Brasília (HUB) e tem como objetivo impedir o avanço do diabetes tipo 2 em pessoas pré-diabéticas. O estudo oferece cerca de 50 vagas e acompanha os participantes por três anos com exames gratuitos e apoio contínuo.
Este trabalho faz parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), financiado pelo Ministério da Saúde e desenvolvido pela Beneficência Portuguesa de São Paulo. Além do HUB, o estudo está presente em mais 28 centros no Brasil. Os voluntários serão divididos em três grupos de forma aleatória: PROVEN, TELE PROVEN e Controle. Todos farão exames no HUB, mas os acompanhamentos variam entre presencial intenso, remoto e controle simples.
A coordenadora do Proven-dia, Kênia Baiocchi, destaca que essa divisão é importante para avaliar a eficácia das intervenções. Cada centro acompanhará cerca de 50 participantes por três anos, focando em mudanças no estilo de vida, como alimentação saudável, exercícios físicos e controle do estresse para evitar a evolução do pré-diabetes à diabetes.
O projeto foi planejado há três anos, começando a coleta de dados no ano passado. O principal objetivo é verificar se essas ações conseguem impedir o desenvolvimento da doença. Além de beneficiar os participantes, a pesquisa pode ajudar a fortalecer as políticas públicas de saúde, pois as ações são de baixo custo e aplicáveis à atenção primária, podendo ser incorporadas ao SUS.
Como participar
Para entrar no estudo, a pessoa deve ser maior de 18 anos, ter acesso à internet, morar a até uma hora do HUB e apresentar resultado de hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4%. Também deve estar com sobrepeso ou obesidade e não ter acompanhamento individual recente para alimentação ou exercícios.
Quem tem diagnóstico de diabetes, uso de insulina ou remédios para glicose, doenças renais, pulmonares, cirurgias no sistema digestivo ou histórico de problemas cardíacos não pode participar.
A participação é voluntária, sem remuneração, mas com ajuda de custo. Os inscritos terão consultas, exames e metas personalizadas criadas em diálogo com a equipe. Interessados devem entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99841-5423 ou pelo Instagram do projeto (@proven.unb).
Eliene Maciel, de 51 anos, é voluntária pré-diabética e conta que o programa a ajudou a descobrir e controlar a doença a tempo. Ela adotou hábitos mais saudáveis e incluiu exercícios na rotina, destacando o apoio da equipe como fundamental no processo.
A convivência com o diabetes
Astra Oliver, estudante de Jornalismo da UnB, foi diagnosticado com diabetes tipo 2 em 2025 após identificar fatores de risco ligados à alimentação e saúde mental. Mudou a alimentação, evitando alimentos industrializados e adotou marmitas feitas em casa, o que levou a melhora nos exames, embora ainda enfrente dificuldades para manter exercícios regulares por questões emocionais.
Ele vê iniciativas como o Proven-dia como avanços na saúde pública e ressalta que prevenir o pré-diabetes exige tempo, apoio e abordagem multifatorial, considerando aspectos sociais e emocionais.
Diabetes tipo 2 pode ser revertido
Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 12% da população do Distrito Federal convive com diabetes, especialmente casos do tipo 2, que têm sintomas menos evidentes.
Isabela Carballal, endocrinologista, explica que o diabetes tipo 1 é autoimune e aparece na infância, exigindo insulina desde o início. Já o tipo 2 está ligado à resistência à insulina e hábitos não saudáveis, como sedentarismo e má alimentação, mas pode ser prevenido e retardado.
O pré-diabetes ocorre quando a glicose está alta, mas ainda não no nível da doença. Fatores como excesso de peso, falta de exercícios, alimentação ruim e genética contribuem. Esse estágio geralmente não apresenta sintomas.
Sem tratamento, 5% a 10% dos pré-diabéticos desenvolvem diabetes tipo 2 anualmente, mas a condição é reversível com mudanças no estilo de vida, incluindo perda de peso, prática de atividade física, alimentação equilibrada, sono adequado, redução do álcool e cessação do tabagismo, podendo reduzir o risco pela metade.
O acompanhamento contínuo em saúde é essencial para ajustar o tratamento e garantir o sucesso das mudanças, pois orientações isoladas tendem a perder eficácia a longo prazo.

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