Economia
Ibovespa alcança 182 mil pontos pela primeira vez com queda no IPCA-15
O Ibovespa iniciou o dia em alta de 0,07%, partindo dos 178.852,46 pontos e rapidamente subiu para bater o recorde histórico de 182 mil pontos, impulsionado pelo otimismo dos investidores devido ao resultado melhor do que o esperado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) de janeiro. Além disso, o movimento positivo foi reforçado pela tendência de alta no pré-mercado de ações de Nova York e pela valorização de mais de 1,5% do petróleo no mercado internacional.
Quase todas as 85 ações da carteira teórica registraram valorização (às 11h05, apenas três estavam em queda), refletindo o bom humor especialmente entre investidores estrangeiros. As maiores altas foram observadas em ações mais sensíveis ao ciclo econômico, influenciadas pela queda dos juros futuros após a divulgação do IPCA-15.
Segundo Pedro Cutolo, estrategista da One Wealth Management, o mercado celebra o resultado ligeiramente melhor do IPCA-15. “Há um primeiro sinal de alívio, mas não acredito que o Copom vá cortar a Selic na reunião de amanhã”, afirma.
Já para o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, o resultado foi bastante positivo. “Isso indica que a inflação está desacelerando e está no teto da meta, o que anima o mercado em relação a cortes da Selic, embora não para a decisão de amanhã, mas possivelmente na próxima reunião”, avalia.
Cutolo também mantém a previsão de início da redução da taxa básica de juros pelo Copom a partir de abril. “Ainda há muita incerteza no cenário”, explica, justificando por que não prevê cortes antes do quarto mês de 2026.
O IPCA-15 divulgado nesta manhã mostrou uma redução da alta mensal de 0,25% em dezembro para 0,20% em janeiro, abaixo da mediana de 0,23%, acumulando 4,50% no ano, exatamente no teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Apesar da desaceleração da inflação, a difusão do IPCA-15, que mede a abrangência do índice, acelerou de 54,5% para 63,5% em janeiro, segundo Terra Investimentos, podendo levar o Banco Central a manter um tom cauteloso após a decisão do Copom nesta quarta-feira.
Espera-se que o Copom mantenha a taxa Selic em 15,00% ao ano pela quinta vez seguida, com mercado atento ao comunicado para sinais sobre o início do afrouxamento dos juros.
O economista-chefe da Monte Bravo, Luciano Costa, reforça a expectativa de manutenção da Selic em 15%. “A ausência de sinalizações para cortes, aliada à consolidação das expectativas de estabilidade, indica que o Copom provavelmente seguirá o consenso”, diz.
Nos EUA, o Federal Reserve deve manter os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, enquanto mercados acompanham também a comunicação do banco central americano, em meio a pressões políticas por cortes de juros e mudanças na liderança da autoridade monetária.
Ontem, o Ibovespa fechou em leve queda de 0,08%, a 178.720,68 pontos, com queda de 2,29% nas ações da Vale, que afetou o desempenho do índice. Hoje, apesar de o minério de ferro ter caído 0,51%, as ações da Vale e do setor metalúrgico mostraram recuperação.
A mineradora divulgará após o fechamento do mercado seu relatório de Produção e Vendas do quarto trimestre de 2025.
No exterior, o presidente dos EUA, Donald Trump, discursou sobre economia e acessibilidade de custos, e foram divulgados ainda o índice de confiança do consumidor do Conference Board e resultados corporativos.
O Ibovespa chegou a subir 1,94%, alcançando 182.179,82 pontos no pico, uma alta de mais de 3.300 pontos entre a mínima e a máxima do dia, acumulando ganho de 13,05% no final do mês, superior aos 4,86% registrados em janeiro de 2025.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login