Economia
Ibovespa alcança novo recorde perto de 190 mil pontos com atenção aos EUA
O Ibovespa teve um forte ganho ao longo da tarde, impulsionado pela decisão da Suprema Corte dos EUA que eliminou as tarifas americanas, o que levou o índice a fechar pela primeira vez em torno dos 190 mil pontos, nível anteriormente atingido em 11 de fevereiro. No pico da sessão desta sexta-feira, dia 20, o índice atingiu 190.726,78 pontos, superando ligeiramente os 190,5 mil do começo do mês. Este fechamento representa o 12º recorde do Ibovespa em 2026, considerando a série iniciada em 14 de janeiro.
Ao final do pregão, o índice marcava 190.534,42 pontos, alta de 1,06%, com volume financeiro de R$ 36,2 bilhões em um dia de vencimento de opções sobre ações. Na semana, o Ibovespa avançou 2,18%, registrando a sétima alta semanal seguida. Excetuando a semana entre 2025 e 2026, o índice coleciona ganhos desde o início do ano, somando alta acumulada de 18,25%. No mês, a valorização chega a 5,06%.
No segmento financeiro — que tem maior peso no Ibovespa — todas as ações principais fecharam em alta nesta sexta-feira: Bradesco (ON +2,07%, PN +2,02%), Santander (Unit +3,12%), Banco do Brasil (ON +2,00%) e Itaú (PN +1,40%). A maior ação do índice, Vale ON, subiu 3,23%, fechando a R$ 86,81, enquanto a Petrobras apresentou desempenho misto, com queda de 0,61% na ON e leve alta de 0,42% na PN.
Entre as maiores altas do Ibovespa destacaram-se ainda Vamos (+4,01%), MRV (+3,09%) e Azzas (+2,83%). Já as maiores quedas ficaram por conta de Raízen (-3,23%), Hapvida (-2,69%), Vivara (-1,88%) e C&A (-1,58%).
As bolsas de Nova York também ganharam forças durante a tarde, impulsionadas por declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que anunciou intenção de assinar um decreto impondo uma tarifa global de 10%, após a Suprema Corte bloquear as tarifas vigentes baseadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. A decisão da Corte gerou algum alívio, pois se esperava uma compensação tarifária mais severa. O índice de confiança do consumidor americano também contribuiu positivamente para o mercado, ofuscando o crescimento abaixo do esperado do PIB dos EUA.
O PIB americano cresceu 2,2% em 2025, resultado inferior ao previsto, impactado pela paralisação parcial do governo. Segundo Adam Hetts, head global multiativos da Janus Henderson, a economia já dá sinais de recuperação, o que deve resultar em dados mais favoráveis no primeiro trimestre de 2026.
Nos Estados Unidos, ao fechar, Dow Jones teve alta de 0,47%, S&P 500 subiu 0,69% e Nasdaq avançou 0,90%.
De acordo com Matthew Ryan, estrategista de mercado da Ebury, a decisão da Suprema Corte dificilmente alterará significativamente os mercados no longo prazo, já que o presidente americano deve utilizar outros meios legais para manter restrições comerciais. A volatilidade pode aumentar no curto prazo, mas as estratégias tarifárias podem ser mantidas por vias alternativas.
Com a decisão, o dólar caiu em relação ao real, refletindo preocupações sobre possíveis déficits fiscais americanos por conta de reembolsos tarifários. No Brasil, o câmbio fechou em R$ 5,1759, com baixa de 0,98%.
Entretanto, os analistas financeiros locais mostram maior pessimismo para a próxima semana. Segundo o Termômetro Broadcast Bolsa, a parcela que espera queda do Ibovespa aumentou para 50%, enquanto as expectativas de alta caíram para 25%, mesmo percentual da previsão de estabilidade.

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