Economia
Ibovespa atinge 169 mil pontos com alta motivada por fluxo e pesquisa eleitoral
O Ibovespa alcançou nesta quarta-feira, 21, uma nova marca histórica ao ultrapassar 168 mil pontos, após fechar no recorde de 166 mil pontos no dia anterior. Esse desempenho positivo ocorre em meio a uma busca contínua dos investidores por ativos fora dos Estados Unidos, diante das tensões crescentes entre os EUA e a Europa.
Enquanto os índices acionários internacionais apresentam queda, os investidores acompanham atentamente o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial em Davos, iniciado por volta das 10h30. A agenda de indicadores para hoje está vazia.
Além disso, destaca-se uma pesquisa eleitoral da AtlasIntel que aponta uma redução nas intenções de voto para o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na corrida presidencial de 2026.
Outro tema importante é a liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira, o que deve elevar o valor a ser pago pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no caso do Banco Master, dos atuais R$ 40,6 bilhões para cerca de R$ 48 bilhões.
Após iniciar a sessão aos 166.277,91 pontos, o Ibovespa atingiu máximas históricas, chegando a subir 1,78% no melhor momento, alcançando 169.236,03 pontos. Entre os 85 papéis da carteira teórica, as ações da Metalúrgica Gerdau PN (-1,93%), Gerdau PN (-1,17%), TIM ON (-0,66%) e Caixa Seguridade (-0,006%) apresentavam queda às 11h22. No geral, o Ibovespa avançava 1,63%, marcando 168.988,97 pontos.
Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, comenta que muitos investidores que aplicavam nos índices S&P e Nasdaq estão se afastando dessas bolsas devido à postura agressiva de Trump diante dos parceiros da Otan, acelerando a rotação global de investimentos. Esses recursos têm migrado para países emergentes como o Brasil, trazendo fluxo principalmente de investidores estrangeiros.
A valorização do principal índice da B3 nesta manhã contrasta com o desempenho dos mercados europeus, que operam em baixa. Por volta das 11h, os índices futuros americanos começaram a apresentar alta, atentos ao discurso de Donald Trump, que segue pressionando pela anexação da Groenlândia, território dinamarquês, aos EUA, apesar de ter afirmado que “não usará a força para conquistar a Groenlândia”.
Ontem, o Ibovespa atingiu a máxima histórica de 166.467,56 pontos, fechando ligeiramente abaixo, em 166.276,90 pontos, com alta de 0,87%.
Na manhã de hoje, o índice futuro subia 1,15%, aos 169.625 pontos, enquanto o petróleo apresentava viés positivo às 9h54. O minério de ferro, por sua vez, fechou em queda de 0,32% e 0,64% nos mercados de Dalian e Cingapura, respectivamente.
Felipe Sant’ Anna, especialista em mercado financeiro do grupo Axia, prevê um dia complexo devido ao noticiário e ao discurso de Trump.
Sobre o cenário eleitoral, o especialista observa que quanto menor a diferença entre Lula e os outros pré-candidatos — Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas ou Michele Bolsonaro — mais a preocupação do mercado aumenta, pois o desejo é de ver Lula fora da disputa eleitoral.
A pesquisa AtlasIntel divulgada hoje confirma Lula como favorito para o primeiro turno das eleições de 2026. Em comparação ao levantamento anterior de dezembro, houve uma maior oscilação no cenário de um eventual segundo turno entre o chefe do Executivo e Flávio Bolsonaro, sem a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O estudo aponta Lula com 49,2% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 44,9% para um possível segundo turno presidencial.
Segundo Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil, a pesquisa tem influenciado na alta do Ibovespa, mas o foco principal permanece nos eventos de Davos, na postura de Trump e na discussão sobre a intenção dos EUA de adquirir a Groenlândia.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login