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Economia

Ibovespa atinge 180 mil, mas sobe pouco por ameaça de greve de caminhoneiros

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O Ibovespa continuou sua recuperação pelo segundo dia consecutivo, subindo 1,55% na semana e alcançando a marca dos 180 mil pontos ao final da sessão. Nesta terça-feira (17), o índice da B3 variou entre 179.849,79 e 182.800,30 pontos, iniciando o pregão aos 179.881,52 pontos e fechando aos 180.409,73, com alta moderada de 0,30% e volume financeiro de R$ 27,1 bilhões.

No mês, o Ibovespa acumula queda de 4,44%, o que suaviza o ganho anual para 11,97%.

O dólar apresentou estabilidade relativa, fechando em torno de R$ 5,20, com queda de 0,57%, refletindo a diminuição da tensão sobre o conflito no Oriente Médio. O petróleo Brent manteve-se acima de US$ 100 por barril, registrando alta de 3,2%, a US$ 103 no contrato futuro mais negociado em Londres. Nos Estados Unidos, os principais índices também avançaram: Dow Jones +0,10%, S&P 500 +0,25% e Nasdaq +0,47%.

No pregão da B3, as ações da Vale (ON +0,15%) ficaram praticamente estáveis, enquanto os bancos recuaram (Itaú PN -0,67%, Santander Unit -1,18%). Destacaram-se as ações da Petrobras, que avançaram (ON +1,22%, PN +1,76%). No Ibovespa, quem mais valorizou foram Natura (+8,46%), que divulgou seu balanço trimestral, seguida por CSN (+5,14%), Prio (+4,83%), Braskem (+4,37%) e PetroReconcavo (+3,96%). Por outro lado, Magazine Luiza (-8,13%) devolveu parte dos ganhos do dia anterior, acompanhada por Cosan (-4,22%) e Brava (-3,33%).

Com a proximidade das decisões sobre juros nos EUA e no Brasil, os rendimentos dos títulos americanos caíram, enquanto a curva de juros interna reverteu a queda e subiu no decorrer da tarde. A possibilidade de uma greve nacional de caminhoneiros ganhou força, podendo ocorrer até o fim da semana, conforme afirmou Wallace Landim, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), conhecido como Chorão.

Essa declaração representa uma mudança de postura do dirigente diante do aumento dos custos do transporte rodoviário. “Pode acontecer até o fim de semana”, disse Chorão ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Além disso, a curva de juros atual passou a refletir esse risco iminente, o que limitou os ganhos do Ibovespa no final da sessão. Mais cedo, as ações da Petrobras, que impulsionavam o índice, chegaram a subir mais de 3%, acompanhando a valorização do petróleo.

No cenário externo, o presidente dos EUA, Donald Trump, reforçou que a ofensiva americana contra o Irã será breve, afirmando que o prazo estimado é de algumas semanas, destacando que o avanço está rápido. Durante o Almoço dos Amigos da Irlanda, Trump declarou que o conflito está na metade do prazo estimado de quatro a seis semanas, conforme comentado por Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico da Casa Branca.

Bruno Perri, economista-chefe e estrategista da Forum Investimentos, avalia que os mercados globais têm se beneficiado da expectativa de uma resolução rápida do conflito no Oriente Médio, influenciados pelas declarações do presidente americano e pela morte de figuras importantes do regime iraniano.

Também nesta terça-feira, Trump afirmou que não necessita da ajuda dos países membros da OTAN para as operações militares contra o Irã, após a recusa da aliança em participar dos ataques. Conforme publicado na Truth Social, ele ressaltou que a maioria dos aliados da OTAN preferiu não se envolver, mas concordam que o Irã não deve ter arma nuclear em nenhuma forma.

Dados recentes indicam que 15 navios passaram pelo Estreito de Ormuz nos últimos três dias, incluindo embarcações de carga seca, petroleiros e transportadores de gás natural, com muitos deles seguindo rotas pouco usuais pelas águas territoriais do Irã.

Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos, destaca que o mercado aguarda as decisões do Fed e do Copom sobre juros nesta quarta-feira, em uma sessão que foi tranquila e sem grandes pressões de dados econômicos. Ele ressalta a importância de observar a avaliação do Copom sobre o cenário externo, assim como a reprecificação esperada para a taxa Selic.

Segundo Moreira, a Selic deve cair de 15% para 14,75%, e não mais para 14,50%, devido à maior incerteza causada pelo conflito, o que também impacta a expectativa de cortes na taxa de juros americana. A diplomacia é vista como um caminho preferido para resolver a situação com o Irã, que gera preocupações tanto no mercado de petróleo quanto na inflação global, levando a uma expectativa de juros elevados por mais tempo.

Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, complementa que o mercado aposta em soluções diplomáticas para o conflito que afeta os preços do petróleo, causando volatilidade e influenciando as expectativas inflacionárias, o que justifica a precificação de juros altos em um horizonte prolongado.

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