Economia
Ibovespa bate novo recorde e atinge 185 mil pontos
Seguindo a recuperação observada na segunda-feira, o Ibovespa continuou sua trajetória de recordes históricos nesta terça-feira (3), atingindo pela primeira vez o patamar de 187 mil pontos no pico do dia e encerrando o pregão em um novo recorde de fechamento, com 185.674,43 pontos, alta de 1,58% na sessão. A variação durante o dia ficou entre 182.815,55 pontos na abertura e 187.333,83 pontos no momento de maior valorização. O volume financeiro negociado somou R$ 36,5 bilhões. Na semana e no mês, o índice registrou alta de 2,38%, acumulando 15,24% no ano.
Durante a manhã, o Ibovespa chegou a registrar ganhos de cerca de 2%, recuperando a sequência de recordes iniciada em meados de janeiro, enquanto as bolsas de Nova York operaram em queda — a Nasdaq caiu 1,43% no fechamento — reforçando a ideia de que investidores globais estão reduzindo exposição a ativos americanos. O dólar comercial também recuou 0,18%, cotado em torno de R$ 5,25, indicando entrada de capital estrangeiro apesar do ajuste menor próximo ao encerramento.
Em entrevista à correspondente da Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, direto de Nova York, Aline Bronzati conversou com Alberto Ramos, diretor de macroeconomia para América Latina do Goldman Sachs. Ele explicou que a movimentação do mercado global não caracteriza um processo de “venda dos ativos americanos” por políticas internas dos Estados Unidos, e sim uma diversificação dos portfólios devido à sobreexposição anterior à maior economia mundial.
Na B3, destaque para as ações da Vale ON, que subiram 4,92%, superando o desempenho da Petrobras (ON +1,24%, PN +0,91%). Entre os bancos, os ganhos foram mais moderados, com Banco do Brasil ON subindo 1,54% no fechamento. Próximo ao fim do pregão, a unit do Santander recuou 2,39% após divulgação de lucro trimestral abaixo do esperado, com 579 milhões de euros obtidos no quarto trimestre de 2025. No acumulado do ano, o lucro da operação brasileira foi de 2,168 bilhões de euros.
Em um cenário mais amplo, a curva de juros futuros (DI) caiu em um dia marcado pela divulgação da ata do Copom que confirmou o comunicado sobre a decisão recente da Selic, sinalizando possível corte de 0,50 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, em março.
Andressa Bergamo, especialista em investimentos e sócia da AVG Capital, destaca que as perspectivas de juros mais baixos no Brasil animaram setores como varejo, consumo e construção, que apresentaram altas expressivas: Cyrela (PN +5,64%), Magazine Luiza (+2,95%), Assaí (+2,08%), MRV (+1,57%) e Lojas Renner (+3,59%). As maiores altas do Ibovespa na sessão foram Vamos (+7,37%) e RD Saúde (+5,99%). Já Cogna (-3,56%), Yduqs (-3,38%) e Totvs (-3,26%) ficaram entre as ações com pior desempenho.
Davi Lelis, especialista e sócio da Valor Investimentos, comenta que o Ibovespa mantém seu otimismo, impulsionado pela expectativa de queda gradual da Selic a partir de março, como reforçado pela ata do Copom. O ritmo de redução dos juros deve ser lento, preservando o carry trade e atraindo investimentos estrangeiros.
Dados recentes da B3 mostram que janeiro encerrou com o segundo maior fluxo líquido estrangeiro da história para a bolsa brasileira, com ingresso de R$ 26,313 bilhões, superado apenas pelo recorde de R$ 32,490 bilhões registrado em 2022. Esse volume é também superior ao saldo positivo de capital externo registrado em 2025.
Além da forte entrada de capital externo, que tem impulsionado o Ibovespa a novos patamares, os resultados financeiros do último trimestre de 2025 indicam certa moderação no desempenho das empresas brasileiras. Conforme destaca a jornalista Ana Paula Machado, da Broadcast, setores fortemente ligados à economia doméstica tendem a apresentar balanços mais contidos em função do desaquecimento econômico causado pela alta taxa de juros. Por outro lado, empresas expostas à economia internacional enfrentam desafios relacionados a tensões geopolíticas e tarifas impostas pelos Estados Unidos, que impactam negativamente o comércio global.

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