Economia
ibovespa cai com impacto de ny e retorna a 182 mil pontos
Acompanhando o declínio nas bolsas de Nova York durante a tarde, o Ibovespa ampliou suas perdas e não conseguiu manter a marca dos 183 mil pontos, depois de ter começado o dia próximo ao pico de 185 mil pontos, nível mais elevado desde o início de março. Durante o pregão, oscilou entre a máxima de 185.423,77 e a mínima de 182.570,44 pontos (-1,54%), com volume financeiro de R$ 26,5 bilhões. Na semana, após três sessões consecutivas de ganhos, o índice ainda registra avanço de 3,70%, reduzindo o recuo do mês para 3,21%. No acumulado do ano, a valorização chega a 13,41%. Ao fechar o dia, o Ibovespa marcou 182.732,67 pontos, em queda de 1,45%.
O aumento no preço do barril de petróleo, que ultrapassou os US$ 100 em Londres com alta superior a 4,5%, impulsionou as ações da Petrobras (ON +2,16%, PN +1,09%), porém isso não foi suficiente para evitar a queda do índice da B3, que atingiu 3,35% de baixa no Banco do Brasil ON durante a sessão.
Destacaram-se também as perdas de 2,69% nas ações preferenciais do Itaú, o principal papel do setor financeiro, que encerrou o dia em seu pior patamar. A Vale ON, grande componente da bolsa, caiu 0,80%. Entre os maiores recuos, figuraram Braskem (-7,22%), Direcional (-5,74%) e Equatorial (-5,24%). Por outro lado, Brava (+5,02%), MBRF (+4,20%) e Prio (+2,20%), além de Petrobras, tiveram desempenho positivo.
O dólar à vista aumentou 0,69%, cotado a R$ 5,2562. Em Nova York, os principais índices fecharam em baixa, com o Nasdaq apresentando queda de até 2,38%. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) subiram novamente, assim como a curva dos DI.
Durante coletiva, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o mercado entendeu corretamente a referência do BC à “calibragem” da Selic como indicativo de corte de juros. Ele ressaltou que a instituição mantém um alto nível de cautela diante dos dados econômicos e destacou que o conservadorismo adotado em 2025 criou uma margem para enfrentar a atual incerteza geopolítica no Oriente Médio, que tem impacto nos preços do petróleo.
O Ibovespa seguiu muito influenciado pelos acontecimentos globais, especialmente os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, que afetaram negativamente os índices de Nova York à tarde. Segundo Rodrigo Moliterno, responsável pela gestão de renda variável na Veedha Investimentos, a volatilidade domina as operações, com o mercado perdendo parte do otimismo observado no começo da semana, devido à ausência de avanços em direção a um cessar-fogo, o que resultou em uma realização de lucros após três dias de recuperação parcial do índice.
No cenário doméstico, o IPCA-15 de março superou as expectativas, refletindo-se principalmente na queda das ações do setor bancário, que apresentaram desvalorização mais expressiva em comparação a outros setores no pregão. Em contrapartida, papéis ligados ao setor de petróleo e gás, como Brava, Prio e Petrobras, limitaram as perdas.
Nos últimos dias, o movimento tem sido constante: a continuidade do conflito sem perspectivas de trégua leva a elevação do petróleo e queda dos mercados acionários. Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, observa que o Irã tem mantido a estratégia de prolongar a crise, e questiona até quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderá sustentar essa postura, dado o desgaste político ocasionado pelo conflito e o impacto do aumento do petróleo no custo de vida nos EUA, especialmente em um ano eleitoral para o Congresso.


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