Economia
Ibovespa cai forte com clima global de incerteza
O Ibovespa registrou uma queda superior a 2%, encerrando o pregão no nível mais baixo desde 22 de janeiro, refletindo o aumento da aversão ao risco no cenário internacional nesta sexta-feira (20). O conflito no Oriente Médio permanece sem solução, elevando o preço do barril de Brent para US$ 112 na Bolsa de Londres, o que amplia as preocupações com a inflação e as taxas de juros globais.
Assim como o petróleo, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA continuaram pressionados, com expectativa de cortes nas taxas de juros do Federal Reserve (Fed) apenas no último trimestre de 2027.
Na B3, o Ibovespa oscilou entre 175.039,34 e 180.305,22 pontos, abrindo em 180.262,23 e fechando em 176.219,40 pontos, uma baixa de 2,25%. O volume financeiro chegou a R$ 49,5 bilhões, em dia de vencimento de opções. Na semana, a queda acumulada foi de 0,81%, ampliando o recuo mensal para 6,66%, apontando para o pior desempenho desde fevereiro de 2023. No acumulado do ano, o índice soma alta de 9,37%.
Esta foi a quarta semana seguida de queda, uma sequência negativa não observada desde dezembro de 2024. O desempenho desta sexta-feira foi o pior desde 12 de março, quando o índice caiu 2,55%. A curva do DI avançou no dia, impactando especialmente ações ligadas a juros e ao ciclo econômico doméstico, como construtoras Cyrela e MRV, e empresas como Braskem, Vamos e Natura.
Apenas cinco ações do Ibovespa fecharam em alta: Prio, Vivara, Yduqs, Cemig e Rede D’Or. Entre as maiores empresas, Petrobras terminou o dia em baixa, apesar da alta do Brent. Declarações do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, de que o presidente Lula ordenou a isenção de impostos sobre o diesel causaram preocupações quanto ao impacto fiscal e à autonomia da estatal, reforçadas pelos comentários da presidente da empresa, Magda Chambriard.
Segundo especialistas, essas declarações refletem riscos de intervenção governamental e a medida de subsídio ao diesel pode limitar a capacidade da Petrobras de reajustar preços, reduzindo seu lucro potencial.
A principal ação do índice, Vale ON, teve queda de 1,41%. Entre os bancos, as perdas chegaram a 2,47% no caso do Santander Unit. Em Nova York, os principais índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq encerraram em queda significativa, o que também pressionou o Ibovespa.
Conflitos no Oriente Médio continuam intensos, com ameaças do Irã contra locais turísticos globais e reafirmação da produção de mísseis, após declarações do premiê israelense Benjamin Netanyahu. Ainda, reportagens indicam possível envio de tropas terrestres americanas para o Irã, o que pode agravar ainda mais o conflito.
A Fitch Ratings alerta que, caso o Estreito de Ormuz fique fechado por seis meses, o preço do petróleo poderia subir para cerca de US$ 120 por barril. Para uma interrupção de três meses, a média ficaria próxima a US$ 100 por barril.
O banco Goldman Sachs estima que uma paralisação de três semanas no fluxo energético pelo Estreito causaria uma redução de 0,3% no PIB global e elevaria os preços mundiais em 0,5% a 0,6%. Um cenário de um mês pode agravar esses impactos para 0,5% de queda no PIB e quase 1% de alta nos preços.
Bruna Centeno, economista da Blue3 Investimentos, destaca que o Ibovespa se afastou da marca de 180 mil pontos devido à intensificação da guerra no Oriente Médio, que ataca infraestruturas de petróleo e gás, e que o aumento da curva de juros domésticos reflete esse clima de incerteza.
De acordo com o Termômetro Broadcast Bolsa, subiu o pessimismo entre investidores: 37,50% esperam queda do Ibovespa na próxima semana, contra 11,11% na pesquisa anterior. A expectativa de alta caiu para 37,50% e a de estabilidade para 25,00%.

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