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ibovespa cai pelo 2º dia seguido com nova york, mas fecha semana em alta de 3%

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A recuperação vista nos primeiros dias da semana na B3 conseguiu compensar a queda dos últimos dois dias, garantindo um avanço de 3,03% para o principal índice de ações do Brasil em relação ao fechamento da sexta-feira anterior. Assim, o Ibovespa encerrou a semana com o primeiro ganho após quatro semanas consecutivas de perdas, período marcado pela tensão gerada pelo conflito que começou em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel atacaram o Irã.

Na sexta-feira (27), o índice na B3 oscilou entre 180.976,16 e 183.350,70 pontos, iniciando o dia em 182.732,67 pontos e finalizando em 181.556,76 pontos, uma queda de 0,64%. O volume financeiro negociado atingiu R$ 26,3 bilhões. Apesar da recuperação semanal, o Ibovespa ainda acumula perda de 3,83% no mês, enquanto o ganho no ano chega a 12,68%.

Durante o pregão, o índice tentou manter leve alta e superar os 183 mil pontos até o início da tarde, mas enfraqueceu na parte da tarde em correlação com as quedas registradas em Nova York. Na bolsa americana, o Dow Jones caiu 1,73%, o S&P 500 recuou 1,67% e o Nasdaq perdeu 2,15%. Assim, a agenda local perdeu protagonismo, mesmo com a divulgação de decisões sobre subsídios ao diesel não impactando os preços das ações.

Anna Paulson, presidente do Federal Reserve da Filadélfia, destacou que o conflito no Oriente Médio aumenta as incertezas na economia dos EUA, afetando tanto a inflação quanto o crescimento econômico. Ela ressaltou que choques geopolíticos podem influenciar preços de energia e as condições financeiras globais.

Na sexta-feira, o petróleo Brent para junho em Londres subiu 3,37%, chegando a US$ 105,32 por barril, embora tenha registrado queda de 6,12% na semana. Em um dia de correção no Ibovespa, Petrobras (ON +1,74%, PN +2,89%) e Vale (ON +0,11%) se destacaram positivamente, contrastando com queda de bancos como Banco do Brasil ON (-1,73%) e BTG Unit (-3,03%).

Entre as maiores altas do índice, além de ações de energia como Petrobras, Prio (+3,00%) e PetroReconcavo (+2,11%), também se destacaram MBRF (+6,07%) e Assai (+5,85%). No lado oposto, as maiores quedas foram de Braskem (-10,84%), Cyrela (ON -5,54%, PN -6,56%), MRV (-4,61%) e Cury (-4,56%).

Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, comentou que o conflito tem mostrado indícios de escalada inesperada, contrariando as expectativas iniciais de ser um confronto breve devido aos impactos econômicos e à pressão política sobre o presidente dos EUA, Donald Trump. Segundo ele, o grau de imprevisibilidade é muito alto e a principal preocupação global é se essa situação já desencadeou uma recessão mundial, além de inflação global elevada.

Em análise econômica global divulgada nesta sexta, o Goldman Sachs informou que espera preços mais altos do petróleo Brent, considerando uma possível manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz até meados de abril. Este cenário representa um aumento de até 0,8 ponto percentual na inflação global (excluindo o Oriente Médio) no cenário base, podendo chegar a 2 pontos percentuais em um cenário extremado.

Para a inflação subjacente, que exclui preços voláteis como energia, o impacto esperado varia entre 0,2pp e 0,5pp. Já para o PIB global, o choque nos preços de energia pode reduzir o crescimento em até 0,4pp na projeção padrão, chegando a 1,2pp no cenário adverso. O Goldman Sachs prevê ainda dois cortes nos juros do Federal Reserve ainda este ano, em setembro e dezembro, apontando que o maior risco está relacionado à possibilidade de recessão, o que pode levar a cortes de juros mais agressivos.

Bruna Centeno, economista e consultora da Blue3 Investimentos, destacou que a falta de avanços nas negociações entre Trump e Irã mantém o mercado pessimista. Ela ressaltou que o desempenho do Ibovespa foi parcialmente beneficiado pela participação das ações do setor energético, que se beneficiaram da alta do petróleo. O conflito continua sendo o principal fator de influência no mercado até que haja uma definição mais clara sobre o fim da guerra.

Diante da alta incerteza, as expectativas para o desempenho do índice no curto prazo permaneceram estáveis no Termômetro Broadcast Bolsa desta sexta-feira, com 37,50% dos participantes esperando queda na próxima semana, 25% prevendo estabilidade e 37,50% confiando em alta.

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