Brasil
Ibovespa fecha em alta com avanço de 1,60%
O Ibovespa registrou alta na sua terceira sessão consecutiva, retornando a níveis observados no início de março, impulsionado pela redução das preocupações com os riscos do conflito no Oriente Médio e pela crescente expectativa de um possível acordo de cessar-fogo, apesar de sinais mistos ainda presentes.
Durante a sessão desta quarta-feira, o índice variou entre 182.524,09 e 186.401,24 pontos, encerrando com valorização de 1,60%, aos 185.424,28 pontos, o maior patamar desde 2 de março. O volume financeiro foi de R$ 27,9 bilhões. Na última semana, o Ibovespa acumulou ganho de 5,22%, aliviando a perda do mês, que coincide com o início da guerra em 28 de fevereiro, ficando em 1,78%. No acumulado do ano, o índice apresenta alta de 15,08%.
Indicando que o conflito pode estar próximo de um cessar-fogo, Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, determinou esforços intensos nas próximas 48 horas para destruir a indústria armamentista do Irã, segundo fontes.
Com a possibilidade de negociações entre os Estados Unidos e o Irã crescendo, o exército israelense manifesta preocupação com a interrupção iminente da guerra, conforme relato de oficiais israelenses e pessoas informadas. A decisão veio após Netanyahu receber uma proposta de cessar-fogo enviada a Teerã pelo governo Trump.
Uma pesquisa do Associated Press-NORC Center for Public Affairs Research (AP-NORC) revela que a maioria dos americanos considera que a ação militar dos EUA contra o Irã foi excessiva, e há preocupação elevada com o custo da gasolina, algo crucial para as eleições de meio de mandato nos EUA ao final do ano.
O avanço do Ibovespa contou com apoio generalizado das principais ações, incluindo Petrobras (ON +0,56%, PN +0,49%), que enfrentou alguma pressão devido à queda no preço do petróleo nas bolsas de Londres e Nova York, reflexo da diminuição das tensões no Oriente Médio. As ações da Vale ON subiram 1,86%.
Na mesma tendência, o dólar à vista registrou queda de 0,67%, chegando a R$ 5,22, enquanto os rendimentos dos títulos americanos e da curva do DI também recuaram. Os índices em Nova York acompanharam o movimento positivo: Dow Jones +0,66%, S&P 500 +0,54% e Nasdaq +0,77%. O petróleo WTI fechou em baixa de 2,19%, a US$ 90,32 o barril, e o Brent caiu 2,96%, a US$ 97,26 por barril.
Apesar da menor aversão ao risco nos últimos dias, declarações firmes de autoridades iranianas indicam que a retórica permanece dura. Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano, alertou sobre possíveis movimentos para ocupar uma ilha iraniana, prometendo resposta militar ampla em caso de invasão.
Na B3, o setor financeiro recupera terreno, avançando até 5,57% na semana, embora algumas instituições ainda apresentem perdas mensais significativas. No pregão, os destaques positivos ficaram por conta de MRV (+7,49%), Brava (+6,05%) e Hapvida (+4,69%), enquanto Azzas (-2,01%), IRB (-1,16%) e CSN Mineração (-0,80%) registraram queda.
Bruna Medeiros, sócia da Manchester Investimentos, destacou que a expectativa de cessar-fogo tem contribuído para a redução dos preços do petróleo e dos juros americanos, além de um cenário doméstico positivo, alerta no entanto para possível reversão caso o Irã opte por não negociar.
Alison Correia, analista e cofundador da Dom Investimentos, observa que o movimento positivo é impulsionado pela esperança de pacificação, ressaltando o dilema do presidente Trump, que deseja encerrar os ataques devido ao custo elevado, mas enfrentaria uma derrota política caso o Irã continue interferindo na circulação pelo estreito de Ormuz.


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