Economia
Ibovespa recua menos que NY devido à alta do petróleo
O índice Ibovespa começou o dia em estabilidade no dia 9, oscilando perto do zero, apesar de registrar queda inicial de 0,59%. Isso difere do que ocorre nos mercados futuros de Nova York, que enfrentam quedas próximas a 1%, motivadas pelo aumento de 10% no preço do petróleo. O crescimento do valor da commodity impulsiona as ações do setor petrolífero, limando a queda do Ibovespa. Nesta manhã, as maiores valorizações são lideradas por ações relacionadas ao petróleo, com destaque para a Petrobras, que sobe cerca de 3%.
As persistentes tensões geopolíticas amplificam o temor global, afetando o apetite por risco devido à preocupação de que o preço elevado do petróleo possa elevar a inflação e restringir os cortes nas taxas de juros mundialmente.
Além do conflito no Oriente Médio, a agenda da semana estará focada em dados econômicos importantes, especialmente inflação no Brasil e Estados Unidos, que podem modificar as expectativas para a política monetária. A temporada de resultados corporativos continua, com destaque para Cosan e Direcional, hoje, e CSN na quarta-feira.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária pode optar por um corte menor na taxa Selic, reduzindo-a em 0,25 ponto percentual, em vez do meio ponto esperado. Nos Estados Unidos, a atenção está na possível retomada do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve, que também divulga sua decisão no mesmo dia do Copom.
Segundo Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos, o mercado enfrentará alta volatilidade nesta semana, diante da possibilidade de prolongamento do conflito no Oriente Médio, que pressiona a oferta global de petróleo. “Os investidores tendem a buscar proteção, especialmente com uma série de dados importantes na agenda”, explica, referindo-se ao IPCA brasileiro e o CPI americano, que podem determinar o rumo das políticas econômicas. Para Alison Correia, analista e cofundador da Dom Investimentos, “a tendência é de redução menor na Selic, e o cenário econômico permanece tenso”.
Com o término do horário de verão nos EUA, a B3 retoma seu horário tradicional, encerrando as negociações ao vivo às 17 horas.
Durante a madrugada, o petróleo teve alta de 30%, aproximando-se dos US$ 120, diante da ausência de sinais para uma resolução no conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. As disputas ampliam o receio de cortes na oferta, especialmente por conta do fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota mundial do petróleo.
Ontem, o Irã anunciou Mojtaba Khamenei como sucessor do pai, Ali Khamenei, mantendo o controle rígido dos linha-dura em Teerã. Antes, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o novo líder iraniano não teria continuidade sem sua aprovação.
William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, alerta que o conflito eleva riscos ao Estreito de Ormuz, vital para o trânsito de 20% do petróleo global, reduzindo a oferta. “Investidores devem manter cautela neste momento de grandes incertezas”, reforça.
Também está em evidência pesquisa Datafolha que aponta avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas intenções de voto, em empate técnico com o presidente Lula. Ambos lideram com 43% e 46%, respectivamente, e apresentam rejeição similar.
Com sinais de aceleração na economia chinesa, o minério de ferro subiu 2,28%. Contudo, as ações da Vale recuaram 1,72% às 10h38, influenciando negativamente o setor de metais na B3. Por outro lado, os papéis da Petrobras registraram alta entre 2,92% (PN) e 3,43% (ON). As ações dos grandes bancos, exceto Bradesco e Banco do Brasil, que caíram 0,80%, permaneceram estáveis.
O Ibovespa caía 0,28%, aos 178.930,93 pontos, após oscilar entre 178.314,32 e 179.367,33 pontos. Na sexta-feira, o índice finalizou em baixa de 0,61%, fechando aos 179.364,82 pontos e acumulando perda semanal de 4,99%, sua pior performance em cerca de quatro anos.

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