Economia
Ibovespa recua para 179 mil pontos sob tensão global; Petrobras contém perdas
O Ibovespa abriu a sessão desta sexta-feira (6) em queda, acompanhando os mercados norte-americanos, enquanto investidores analisam o relatório de empregos dos Estados Unidos e se preocupam com o conflito no Oriente Médio.
O documento de empregos revelou eliminação de vagas, além de aumento na taxa de desemprego e nos salários além do esperado.
Pouco antes do fechamento desta matéria, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que não haverá acordo com o Irã, exceto uma “rendição incondicional”. Essas declarações impulsionam a queda das bolsas, o fortalecimento do dólar e a alta dos juros futuros.
Depois de uma breve recuperação até 181 mil pontos, o Ibovespa iniciou uma sequência de quedas, chegando próximo a 178 mil pontos, nível visto pela última vez no final de janeiro. O movimento reflete a inquietação global diante das incertezas sobre a duração do conflito no Oriente Médio. Ainda assim, o índice diminuiu a velocidade da queda, caindo menos que os índices futuros nos EUA, impulsionado pelo avanço de quase 5% nas ações da Petrobras.
Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, comenta: “Existe uma grande preocupação sobre o prolongamento do conflito, que poderá impactar significativamente a cadeia global de suprimentos e influenciar a inflação, dependendo da duração do conflito.”
Nos Estados Unidos, a economia eliminou 92 mil empregos em fevereiro, surpreendendo as projeções que indicavam variações entre corte de 9 mil vagas e geração de 90 mil, com uma mediana positiva de 55 mil. O documento, conhecido como payroll, é a principal referência do mercado de trabalho americano. A taxa de desemprego subiu para 4,4% em fevereiro, ante 4,3% em janeiro.
No Brasil, a produção industrial cresceu 1,8% em janeiro em relação a dezembro, superando a expectativa máxima de 1,6%, criando um cenário ainda mais incerto para a política de corte da taxa Selic no próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom).
Há preocupações constantes de que o aumento do preço do petróleo, devido ao conflito no Oriente Médio, acelere a inflação e restrinja o afrouxamento monetário global.
A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 110,1 bilhões em 2025, um aumento de 200,8% em relação ao ano anterior. No quarto trimestre, lucrou R$ 15,5 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 17 bilhões do mesmo período em 2024, embora este resultado trimestral represente uma redução de 52,3% em comparação ao terceiro trimestre. A estatal realiza teleconferência de resultados às 11h30.
Felipe Sant’ Anna, especialista em mercado financeiro do grupo Axia, destaca: “Com os resultados da Petrobras, dividendos distribuídos e a alta do petróleo que pode alcançar US$ 100 por barril, a situação pode complicar o cenário inflacionário mundial.”
Em meio ao conflito, o preço do petróleo tipo Brent segue subindo, aumentando a defasagem média dos combustíveis no Brasil para um recorde de 58%. Considerando apenas as refinarias da Petrobras, essa defasagem chega a 64% em relação ao mercado internacional.
Na quinta-feira (5), o Ibovespa encerrou em queda de 2,64%, aos 180.463,84 pontos.
Às 11h10 desta sexta, o índice recuava 0,61%, aos 179.358,81 pontos, atingindo uma mínima de 178.607,05 pontos, depois de alcançar uma máxima de 181.091,04 pontos, acumulando perdas de 4,99% na semana e no mês.

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