Economia
Ibovespa sobe 2% com melhora no cenário externo após sinal de alívio no conflito
O Ibovespa avançou 2%, aproximando-se da marca dos 180 mil pontos, refletindo a recuperação dos mercados acionários ocidentais na manhã desta segunda-feira, 23. A valorização abrangente do principal índice da B3 acompanha o cenário menos tenso no exterior, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mencionou conversas construtivas com o Irã em meio às tensões no Oriente Médio, embora o Irã tenha negado estas informações.
Antes dessas declarações, o preço do petróleo estava em alta e as bolsas europeias, junto com os índices futuros de ações, apresentavam queda, revertendo o quadro em seguida. A abertura do pregão em Nova York registrou uma alta próxima a 2%.
Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, ressalta que “os mercados começaram a semana com alta volatilidade, devido às reviravoltas no cenário geopolítico nesta manhã”.
Hoje, a agenda econômica está mais tranquila, mas ganha relevância a partir de amanhã com a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), seguida do Relatório de Política Monetária (RPM) e do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), prevista para quinta-feira.
Apesar das falas do presidente americano, existem relatos de que o Irã não manteve contato direto com os EUA, nem mesmo por meio de intermediários, recentemente. Por isso, os investidores permanecem cautelosos, embora os ativos estejam precificando uma possível melhora nos conflitos do Oriente Médio.
Harrison Gonçalves, CFA Charterholder e membro do CFA Society Brazil, comenta que “o mundo ainda está atento às ações dos Estados Unidos e deve permanecer assim nos próximos dias. Espera-se que essa situação não se prolongue por meses”.
Mais cedo, as bolsas ocidentais sofreram quedas significativas após o pronunciamento de sábado do presidente Trump, em que ameaçou atacar e desativar instalações elétricas iranianas caso o país não reabrisse o Estreito de Ormuz em 48 horas. Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã indicou que poderia fechar completamente essa passagem e atacar infraestruturas energéticas na região.
Bruna Sene destaca também que, durante o fim de semana, o aumento das tensões entre EUA e Irã pressionou os ativos de risco, com o petróleo chegando a se aproximar de US$ 110 por barril.
Em meio às incertezas causadas pela guerra no Oriente Médio, que tem elevado os preços do petróleo globalmente e afetado a economia brasileira, o boletim Focus desta segunda-feira revelou aumentos nas projeções para inflação e taxa Selic.
A mediana da inflação projetada para os próximos 12 meses subiu de 3,99% para 4,07%, enquanto a previsão para a taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano, foi ajustada de 12,25% para 12,50%.
Silvio Campos Neto, economista sênior e sócio da Tendências Consultoria, observa que “enquanto aguardamos a ata do Copom amanhã, a pesquisa Focus trouxe ajustes para cima nas expectativas de IPCA e Selic para este ano, sem alterações para 2027”.
Na última sexta-feira, o Ibovespa encerrou em baixa de 2,25%, aos 176.219,40 pontos, com declínio semanal de 0,81%.
Hoje, em Dalian, na China, o minério registra alta de 0,92%, enquanto o petróleo Brent registra queda de 8,74%, cotado a US$ 97,25 o barril às 10h47.
O índice Bovespa registra alta de 2,57%, alcançando o pico de 180.744,36 pontos, partindo da abertura em 176.220,82 pontos, sem variação no momento.
As ações da Vale valorizam 2,20%. Os papéis do setor bancário também apresentam ganhos expressivos, como BTG, que sobe até 4,53%, enquanto Itaú, Santander e Banco do Brasil alcançam valorizações superiores a 2%, e o Bradesco, acima de 3%. De 83 ações, apenas seis apresentam quedas, incluindo Petrobras (PN: -0,53% e ON: -0,44%).

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