Brasil
Ibovespa sobe com alta do petróleo e alcança 180 mil pontos
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, afirmou que Israel está colaborando com os Estados Unidos para garantir a reabertura segura do Estreito de Ormuz para a passagem de navios, trazendo uma reviravolta nos mercados globais na tarde desta quinta-feira (19). Isso fez o Ibovespa saltar rapidamente dos 179 mil para os 181 mil pontos em seu melhor momento, passando de perdas para um ganho máximo de 0,90%, alcançando 181.250,84 pontos.
O primeiro-ministro também ressaltou que o Irã não teria mais capacidade para enriquecimento de urânio nem para reabastecer seus mísseis, reacendendo expectativas de que EUA e Israel estejam mais próximos de declarar que cumpriram seus objetivos nos ataques ao país, o que é fundamental para a estabilização do petróleo, que tem enfrentado pressão desde o início do conflito.
O Ibovespa, que estava em 179.552,05 pontos às 16h, subiu para 179.959,44 no minuto seguinte e chegou a 180.535,08 às 16h02, variação de mil pontos em poucos minutos. Às 16h07, atingiu a máxima do dia, em 181.250,84 pontos.
Ao final do pregão, após o pico de euforia, o índice da B3 encerrou com alta moderada de 0,35%, aos 180.270,62 pontos, com volume negociado de R$ 38,3 bilhões. Na semana, acumulou avanço de 1,47%; no mês, ainda registra queda de 4,51%; e no ano, apresenta alta de 11,88%.
Apesar da reação positiva, Netanyahu também declarou na TV que não estipulará um prazo para o fim da guerra no Irã, reiterando que ainda há objetivos a serem alcançados.
O petróleo manteve a tendência de queda, mas de forma mais moderada do que nas primeiras declarações do líder israelense no período da tarde. Outro fator que contribuiu para essa mudança foi a informação de que a liberação de reservas estratégicas, coordenada pela Agência Internacional de Energia (AIE), será maior do que o previsto inicialmente.
O impacto da oscilação do petróleo sobre a inflação e as taxas de juros globais continua limitando o apetite por ações, especialmente em mercados emergentes como o Brasil, durante o mês de março. Após o entusiasmo dos primeiros meses do ano, quando o Ibovespa alcançou sucessivos recordes impulsionado por investidores estrangeiros, o mercado agora se ajusta a um cenário mais desafiador, marcado por preços elevados do petróleo, inflação pressionada e espaço reduzido para flexibilização monetária, reacendendo o risco de estagflação global, segundo Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
O especialista em investimentos Leonardo Santana, sócio da casa de análise Top Gain, destaca que a grande incerteza em torno da duração do conflito complica ainda mais o panorama. Ele lembra que o conflito pode durar apenas algumas semanas, como sugerido por Donald Trump, ou pode se intensificar por um período prolongado, enfatizando os ataques do Irã a estruturas estratégicas no Catar, envolvendo bases de gás liquefeito essenciais para o suprimento mundial de energia.
Pela manhã, o Ibovespa atingiu sua mínima do dia em 176.295,71 pontos, em uma diferença de quase 5 mil pontos entre os extremos da sessão. No setor financeiro, que possui maior peso no índice, as ações reagiram de forma coletiva, invertendo suas quedas e encerrando a sessão em alta, com variações que vão de +0,05% (Bradesco PN) a +1,15% (Santander Unit). As ações da Petrobras, tanto ordinárias quanto preferenciais, tiveram desaceleração nos ganhos após a queda do petróleo em Londres e Nova York, onde os contratos futuros recuaram até 3%. Assim, fecharam em baixa: ON -0,12%, PN -0,47%. A Vale ON caiu 0,65%.
Os principais destaques positivos do Ibovespa foram Hapvida (+14,98%), Natura (+4,28%) e Eneva (+3,90%). Os papéis com desempenho contrário foram Minerva (-10,70%), Brava (-4,33%) e Vamos (-2,87%). Nos Estados Unidos, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq também alternaram entre altas e quedas, encerrando em baixa, com variações de -0,44%, -0,27% e -0,28%, respectivamente.
Mesmo com a recuperação do petróleo Brent e WTI ao longo da sessão, ambos acumulam altas de 46% e 41%, respectivamente, no mês, período que coincide exatamente com o início da guerra no Irã, deflagrada em 28 de fevereiro. Nesta quinta-feira, o índice da B3 operou em seu menor nível intradiário desde 23 de janeiro, mas recuperou-se com o anúncio de Netanyahu, encerrando a sessão próximo da abertura, em 179.623,65 pontos.

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