Economia
ibovespa sobe com vale e bancos; petroleo pesa e derruba petrobras
O Ibovespa começou fevereiro praticamente estável, em torno dos 181 mil pontos, mas rapidamente avançou, ganhando cerca de 1.500 pontos desde a abertura. Este movimento contrasta com a queda dos índices futuros em Nova York, influenciada por dúvidas sobre a inteligência artificial e o impasse no pacote financeiro que visa evitar a paralisação parcial do governo norte-americano.
O principal índice da B3 partiu dos 181.369 pontos na abertura, atingiu a mínima de 181.347,63 pontos (-0,01%) e chegou ao pico de 182.889,95 pontos, com alta de 0,84%. Esse movimento foi impulsionado principalmente pelo desempenho das ações da Vale, mesmo com a queda de 1,26% do minério de ferro em Dalian, China, e o recuo de outros metais, além do bom desempenho dos grandes bancos que começam a divulgar seus balanços do quarto trimestre de 2025.
Felipe Sant’ Anna, especialista em mercado financeiro do grupo Axia, afirma que “o Ibovespa está descolado do cenário externo há bastante tempo, com previsões de atingir entre 190 e 200 mil pontos. O índice continua subindo, com meta para cima”.
Nesta semana, a agenda econômica conta com dados capazes de impactar a Bolsa brasileira e os demais ativos locais. Internacionalmente, o destaque é o relatório oficial de emprego dos Estados Unidos, além dos balanços da Alphabet e Amazon.
No Brasil, será divulgada a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para detalhar a manutenção da Selic em 15% e reforçar a expectativa do início dos cortes em março. Além disso, Santander Brasil e Itaú Unibanco abrirão a temporada de resultados do último trimestre de 2025.
Nos Estados Unidos, foi aprovado pelo Senado o pacote de financiamento do governo Trump, mas a aprovação ainda depende da Câmara dos Representantes. O presidente desta Câmara, Mike Johnson, declarou que a votação pode demorar alguns dias, possivelmente estendendo para ao menos uma semana a paralisação parcial das atividades do governo federal. Entre os temas em debate entre republicanos e democratas está a continuidade das ações contra imigrantes da administração Trump.
No âmbito doméstico, saiu o boletim Focus, que mostra uma leve redução nas projeções para a inflação. A mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 caiu de 4,00% para 3,99%, ficando 0,51 ponto porcentual abaixo do teto da meta (4,50%). As demais projeções permanecem em 3,80% para 2027 e 3,50% para 2028 e 2029. As estimativas para a taxa Selic também não mudaram: 12,25% para 2026, 10,50% para 2027, 10% para 2028 e 9,50% para 2029.
O mercado também repercute a indicação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para nomear Guilherme Mello, secretário de Política Econômica, para a diretoria do Banco Central. Essa nomeação depende da aprovação do Senado, que fará uma sabatina para avaliar o economista após a formalização da indicação pelo Planalto.
Na China, o minério de ferro fechou em queda de 1,26%, refletindo dados industriais fracos. O preço do petróleo despencou quase 5%, impactando negativamente as ações do setor. A Petrobras, que tem forte influência no Ibovespa, cedeu cerca de 2,30%. Já a Vale subiu 1,70% perto das 11 horas. Outros bancos também registraram valorização: Itaú subiu 1,21%, Santander (Unit) 0,91%, Bradesco (ON) 1,15% e (PN) 0,94%, e Banco do Brasil 0,59%.
O Santander e Itaú iniciam a divulgação dos resultados do último trimestre na quarta-feira, seguidos por Bradesco, Multiplan, Brasil Agro e Porto Seguro no dia seguinte.
Àquele horário, o Ibovespa subia 0,79%, aos 182.801,76 pontos. Na sexta-feira anterior, fechou com baixa de 0,97%, aos 181.363,90 pontos, encerrando janeiro com alta de 12,56%, a melhor performance desde novembro de 2020 (15,90%).
Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, destaca que “houve uma alta alinhada com outros ativos da América Latina e mercados emergentes, que se destacaram devido a um movimento de realocação de fluxos globais”. Ela também ressalta que o grande motor da valorização da Bolsa brasileira foi o forte fluxo de entrada de investidores estrangeiros em janeiro.
Até quinta-feira de janeiro, o último dado disponível, o volume de entrada de capital estrangeiro na B3 alcançou R$ 25,32 bilhões, valor próximo ao total de R$ 25,473 bilhões registrado durante todo o ano de 2025.

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