Economia
Ibovespa sobe e volta a 185 mil pontos com alta de 1,24%
Seguindo a recuperação observada na bolsa de Nova York, o Ibovespa acelerou o ritmo à tarde e fechou o pregão no patamar de 185 mil pontos, com recuperação espalhada entre várias ações que haviam sofrido perdas no dia anterior devido ao aumento da aversão ao risco, especialmente as do setor financeiro. Durante o dia, o índice oscilou entre uma mínima de 183.110,02 e uma máxima de 186.306,18 pontos, terminando com alta de 1,24%, aos 185.366,44 pontos. O volume financeiro do dia foi de R$ 27,3 bilhões, menor que o do dia anterior, quando atingiu R$ 46,8 bilhões, período em que o Ibovespa teve sua maior queda percentual desde 5 de dezembro, o chamado ‘Flávio Day’. Na comparação semanal e mensal, o índice ainda apresenta queda de 1,81%. No acumulado do ano, a valorização é de 15,04%.
Entre as ações com maior peso no índice, a Vale (ON -0,46%) e a Petrobras (ON -0,72%, PN -1,10%) se destacaram negativamente hoje, apesar da recuperação do preço do petróleo nas bolsas de Londres e Nova York durante a tarde, mesmo que tenham fechado estáveis. No setor bancário, a recuperação foi expressiva: BTG Unit subiu 4,14%, Itaú PN avançou 1,42% e Santander Unit cresceu 2,20%. Bradesco ON e PN também tiveram ganhos, de 1,09% e 1,44%, respectivamente.
Entre os destaques de alta do Ibovespa estão Pão de Açúcar (+14,67%), Braskem (+13,72%) e Magazine Luiza (+5,89%). No lado contrário, além de ações da Petrobras, aparecem Raízen (-13,04%), Assaí (-3,35%) e Suzano (-1,34%). Nos Estados Unidos, os índices Dow Jones (+0,49%), S&P 500 (+0,78%) e Nasdaq (+1,29%) também fecharam em alta.
Rodrigo Moliterno, responsável pela área de renda variável da Veedha Investimentos, afirma que até que os efeitos e impactos do atual conflito militar sejam entendidos, os mercados ficarão em compasso de espera. Segundo ele, a perspectiva fundamental para os mercados de ações permanece positiva, mas há uma suspensão temporária até se avaliar a amplitude e duração da guerra. No curto prazo, as bolsas permanecem estagnadas, porém com uma perspectiva otimista para médio e longo prazo.
Inicialmente, Moliterno acrescenta que deve haver uma reversão temporária no fluxo de recursos para a B3, com retorno dos investimentos à origem em um cenário de maior cautela e aversão a riscos. Ele ressalta que, por enquanto, espera-se que o Irã permaneça isolado no conflito, sem envolvimento de outros países, mas o preço do petróleo segue como a principal incerteza, dada a influência sobre a inflação e taxas de juros.
Marco Noernberg, sócio e estrategista de renda variável da Manchester Investimentos, complementa que o cenário atual indica uma alteração no equilíbrio de riscos no curto prazo, mas sem mudança estrutural na tese de investimentos no Brasil. Ele destaca que ainda há expectativas de redução da taxa de juros, melhora no cenário político e econômico doméstico e enfraquecimento do dólar, fatores que impulsionaram a bolsa a máximas históricas. No entanto, há um movimento contrário de curto prazo devido aos riscos adicionais, principalmente relacionados ao conflito no Oriente Médio e ao petróleo.
Noernberg observa que se o preço do barril de petróleo Brent subir perto de US$ 100, a inflação global e nacional poderá ser pressionada, influenciando a trajetória das taxas de juros localmente e no exterior. Isso não significa que a taxa Selic não vai cair, mas sim que a queda pode ser menos intensa.
No mercado de petróleo, os contratos futuros encerraram o pregão de hoje praticamente estáveis, com atenção ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, um ponto crucial para o setor. As medidas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ajudaram a aliviar os receios quanto ao fechamento desta importante rota, por onde passam cerca de 20% dos hidrocarbonetos do mundo. Esse tema ofuscou a alta inesperada nos estoques semanais de petróleo nos EUA.
Na última coletiva de imprensa, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o regime iraniano está sendo severamente atingido pela ofensiva militar coordenada pelos EUA. Ela destacou que mais de 2 mil alvos iranianos já foram atacados desde o início das operações, ressaltando quatro objetivos principais: destruir a marinha iraniana, eliminar sua capacidade de armas balísticas, impedir permanentemente que o Irã adquira armas nucleares e neutralizar os grupos aliados na região.

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