Brasil
Ibovespa sobe mais de 3% com promessa de trégua de Trump
Nas oscilações em torno da percepção de risco no Oriente Médio, a promessa feita pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre uma trégua de cinco dias no conflito com o Irã — especialmente evitando ataques à infraestrutura energética — provocou um alívio nos preços do petróleo no início da semana, com queda dos juros futuros e alta nas bolsas de valores.
Na B3, o Ibovespa subiu 3,24% nesta segunda-feira, alcançando 181.931,93 pontos e, em seu pico, 182.973,41 pontos. Considerando o ponto inicial do dia (176.220,82), que também foi a mínima da sessão, o índice recuperou aproximadamente 5,7 mil pontos.
Apesar do índice ainda recuar 3,63% no mês, o ganho acumulado no ano é de 12,91%. O volume financeiro negociado nesta segunda-feira chegou a R$ 32,4 bilhões. Nos Estados Unidos, o Dow Jones avançou 1,38%, o S&P 500 subiu 1,15% e o Nasdaq teve alta de 1,38%. O dólar apresentou queda de 1,29%, valendo R$ 5,2407, enquanto o petróleo Brent em Londres fechou com baixa de 9,86%, cotado a US$ 95,92 por barril.
Com o preço do petróleo Brent abaixo dos US$ 100 por barril, as ações da Petrobras tiveram desempenho inferior ao das outras grandes empresas na B3, mas aceleraram ganhos no fim do dia, fechando com alta de 0,68% para as ações ON e 0,79% para as PN. No mês e no acumulado do ano, os papéis ON subiram, respectivamente, 18,61% e 55,60%, e as PN, 17,04% e 49,35%. Outras ações de destaque: Vale PN cresceu 2,57% e as ações dos bancos tiveram variações positivas de até 4,72%.
Entre as maiores altas do Ibovespa, destacaram-se MBRF (+14,34%), Localiza (+10,43%) e Vamos (+9,72%). Apenas um papel caiu, a Prio (-2,84%). Esta foi a maior valorização do índice desde 21 de janeiro e o fechamento mais alto desde 11 de março, quando estava perto de 184 mil pontos.
Porém, mesmo com a boa recepção da declaração de Trump, notícias do dia indicam que o conflito está longe de um arrefecimento imediato. Israel limitou operações no Aeroporto Ben Gurion, reduzindo o fluxo para um voo por hora, devido ao aumento das tensões com o Irã.
Além disso, o The New York Times informou que oficiais militares dos EUA avaliam a possibilidade de enviar uma brigada de cerca de 3 mil soldados da 82ª Divisão Aerotransportada para apoiar operações no Irã.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, ressaltou que não houve negociações com os EUA e que as chamadas “notícias falsas” têm a intenção de manipular os mercados financeiros e de petróleo, além de tentar afastar os Estados Unidos e Israel das dificuldades em que ambos estão envolvidos.
Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, “foi um dia notável, no mínimo”, referindo-se às mudanças bruscas no sentimento em relação ao conflito, que têm causado grande volatilidade, principalmente nos preços do petróleo. Ele ressalta o comportamento indecifrável da comunicação da Casa Branca e os desmentidos vindos do governo iraniano.
“Ninguém tem certeza dos objetivos reais, há muita confusão até agora. Se essa recuperação do mercado será duradoura ou apenas passageira, só saberemos em breve.”
Outro analista, Nicolas Merola da EQI Research, destaca: “Houve uma escalada significativa da tensão no fim de semana, especialmente por sinais dos EUA sobre ataques à infraestrutura energética, provocando uma resposta retórica do Irã. Depois, a postura mudou completamente com o anúncio de Trump no sentido das negociações. Ainda não está claro se haveria interrompimento das hostilidades. Foi uma virada de 180 graus em relação ao que se esperava no fim de semana”.

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