Brasil
Ibovespa sobe novamente e volta a 185 mil pontos
O Ibovespa reagiu nesta quarta-feira acompanhando a melhora dos mercados em Nova York e, no fim da tarde, conseguiu retomar o patamar de 185 mil pontos. Essa recuperação foi impulsionada principalmente por ações do setor financeiro, que haviam sofrido perdas significativas no dia anterior devido à aversão ao risco. Durante o pregão, o índice oscilou entre 183.110,02 pontos e 186.306,18 pontos, encerrando com alta de 1,24%, aos 185.366,44 pontos. O volume financeiro negociado foi de R$ 27,3 bilhões, inferior ao registrado na terça-feira, de R$ 46,8 bilhões, quando o índice sofreu sua maior queda percentual desde 5 de dezembro do ano passado. Apesar dessa recuperação, o Ibovespa ainda acumula queda de 1,81% na semana e no mês, mas apresenta valorização de 15,04% no ano.
Entre as ações com maior peso no índice, a Vale (ON -0,46%) e a Petrobras (ON -0,72%, PN -1,10%) se destacaram negativamente, mesmo com a virada positiva do preço do petróleo à tarde no mercado internacional. No setor bancário, houve recuperação significativa, com BTG Unit avançando 4,14%, Itaú PN subindo 1,42% e Santander Unit valorizando 2,20%. Bradesco ON e PN também registraram ganhos de 1,09% e 1,44%, respectivamente.
Os maiores ganhos foram observados nas ações da Pão de Açúcar (+14,67%), Braskem (+13,72%) e Magazine Luiza (+5,89%). Já do lado das maiores quedas, além das ações da Petrobras, chamou atenção a retração da Raízen (-13,04%), Assaí (-3,35%) e Suzano (-1,34%). Nos Estados Unidos, os principais índices também fecharam em alta: Dow Jones (+0,49%), S&P 500 (+0,78%) e Nasdaq (+1,29%).
Segundo Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável da Veedha Investimentos, "Até que todos os impactos sejam bem compreendidos, um conflito militar deixa os mercados em pausa. Embora o viés fundamental para as bolsas seja positivo, tudo fica suspenso enquanto se avalia a amplitude e duração da guerra. No curto prazo, as bolsas ficam paradas, mas com perspectiva de alta no médio e longo prazo."
Rodrigo Moliterno acrescenta que, numa primeira fase, é esperado que o fluxo de recursos que vinha chegando à B3 sofra uma reversão temporária devido ao aumento da aversão ao risco. Ele destaca que, por enquanto, espera-se que o Irã permaneça isolado no conflito, sem envolvimento de outras nações, mas ressalta que o preço do petróleo permanece como a maior incerteza devido ao seu impacto na inflação e nas taxas de juros.
Marco Noernberg, sócio e estrategista de renda variável da Manchester Investimentos, pontua que "Há uma mudança no balanço de riscos no curto prazo, mas não uma alteração estrutural na tese de investimento no Brasil. Ainda se espera queda dos juros, melhora no cenário político interno e enfraquecimento do dólar, fatores que levaram o índice a máximas históricas. Porém, agora há um fluxo de saída temporária dos investidores devido ao conflito no Oriente Médio, que adiciona incertezas, especialmente sobre o preço do petróleo."
Marco alerta que se o preço do barril Brent subir para perto de US$ 100, a inflação global e brasileira ficará pressionada, impactando a trajetória da taxa Selic, que poderá cair menos intensamente no futuro.
Os contratos futuros do petróleo encerraram a sessão praticamente estáveis, com o foco nas movimentações no Estreito de Ormuz, onde medidas tomadas pelo governo dos EUA ajudaram a diminuir temores relacionados ao fechamento dessa rota crucial para cerca de 20% do transporte mundial de hidrocarbonetos. Esse tema ganhou maior atenção do que o aumento acima do esperado nos estoques semanais de petróleo nos EUA.
Nesta quarta-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o regime iraniano está sendo duramente atingido pela ofensiva militar dos Estados Unidos, destacando que já foram atacados mais de 2 mil alvos iranianos desde o início da ação. Durante a coletiva, ela ressaltou que a campanha tem quatro objetivos principais: destruir a marinha iraniana, eliminar a capacidade balística do Irã, impedir permanentemente seu acesso a armas nucleares e neutralizar grupos aliados na região.

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