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Economia

Impacto do petróleo brasileiro suscita debate na Guiana Francesa

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Em Saint Georges de l’Oyapock, localizado no leste da Guiana Francesa, Steve Norino observa uma diferença cada vez maior em relação à cidade brasileira de Oiapoque, que fica do outro lado do rio, e que vive um crescimento extraordinário desde que a Petrobras começou a explorar petróleo em águas profundas.

Uma viagem rápida de 15 minutos de canoa divide as duas cidades, mas o agricultor guianense, em entrevista por telefone à AFP, resume a situação: “Em Oiapoque tem de tudo, em Saint Georges quase nada”.

Essa discrepância será tema de discussão em Paris, pois na quinta-feira (29) o Parlamento francês vai analisar uma proposta do deputado guianense Georges Patient, que busca reestabelecer a autorização para explorar e produzir combustíveis fósseis nos territórios ultramarinos franceses, atividade proibida desde 2017 pela lei Hulot.

Apesar de a Petrobras ainda estar na etapa de estudo no litoral, a diferença entre as margens do rio Oiapoque é clara. No lado francês, o comércio se resume a um hotel pequeno e dois mercados modestos numa cidade de 4.000 habitantes.

No lado brasileiro, 30.000 moradores vivem em uma cidade que virou um centro atrativo para o estado do Amapá, próximo à foz do rio Amazonas. Fins de semana, muitos guianenses cruzam a fronteira para comprar com preços mais baixos ou para lazer em família. Saint Georges é usado como estacionamento para os veículos deixados do lado francês.

Muitos já estão convencidos dos benefícios. “Não fizemos extração industrial de ouro, mas podemos investir na exploração de petróleo”, afirmou Jean Luc Le West, vice-presidente da Coletividade Territorial da Guiana (CTG), sugerindo a construção de uma refinaria que atenda aos padrões europeus para tratar o petróleo dos países vizinhos.

A lei Hulot, de 2017, proíbe qualquer atividade de prospecção de hidrocarbonetos no território francês, seja em terra ou no mar.

A licença da Total (agora TotalEnergies) para explorar o litoral da Guiana Francesa expirou em 1º de junho de 2019, sem resultados significativos, encerrando a possibilidade de uma indústria petrolífera local.

Várias ONGs, como Amigos da Terra França, Surfrider Foundation Europe, Réseau Action Climat e Greenpeace, são contra a proposta que será debatida, considerando-a um “contrassenso climático, um risco ambiental elevado para territórios já vulneráveis e economicamente inviável”.

Essas organizações alertam que, apesar da situação econômica e social difícil dos territórios ultramarinos, especialmente na Guiana e Mayotte, apresentar os combustíveis fósseis como solução é uma promessa falsa e irresponsável.

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