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Economia

Impacto do petróleo na economia: Brasil está protegido contra desabastecimento, confirma FUP

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A crescente tensão no Golfo Pérsico, com o risco de bloqueio no Estreito de Ormuz, tem elevado os preços do barril de petróleo e gerado preocupação sobre possíveis consequências para a economia do Brasil. Contudo, especialistas garantem que não há risco de escassez de combustíveis no curto ou médio prazo, conforme destaca a Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP, explica que o Brasil é autossuficiente na produção de petróleo bruto e atualmente exporta seu excedente. A principal preocupação está no aumento dos preços para o consumidor. O país importa derivados como diesel e pode enfrentar elevação no custo desses produtos, porém suavizada pela política da Petrobras que busca ajustar os valores ao mercado nacional.

Desde 2023, a Petrobras abandonou a política de paridade de importação (PPI), o que ajuda a minimizar os impactos de flutuações externas. Mesmo assim, Bacelar destaca a importância de acelerar a independência no refino e de investir em combustíveis mais sustentáveis, principalmente após a venda da BR Distribuidora e da Liquigás. O aumento do preço do barril também contribui para a entrada de dólares extras, fortalecendo o superávit comercial brasileiro.

Ticiana Alvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), reforça que a crise atual evidencia a necessidade de ampliar a produção doméstica de insumos estratégicos. O Brasil ainda importa diesel, querosene de aviação, Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e fertilizantes — estes últimos com dependência externa em cerca de 85%.

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção média diária é de 4 milhões de barris, acima do consumo de 2,6 milhões, o que garante uma margem de segurança. O economista Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/FUP), observa que os 600 mil barris diários de derivados importados, metade deles diesel, podem pressionar a inflação.

Cararine destaca ainda que conflitos internacionais costumam alterar as rotas comerciais, o que pode abrir oportunidades para o petróleo brasileiro na Ásia. Seu desafio principal é proteger o consumidor interno dos impactos externos enquanto o país investe em capacidade de refino e na transição para fontes energéticas mais limpas.

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