Economia
Impacto do petróleo no PIB precisa ser avaliado, não é por causa da alta demanda
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou nesta quinta-feira, 26, que o aumento recente do preço do petróleo e seu efeito sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil necessitam de uma análise cuidadosa, pois esse crescimento não está ligado a um aumento na demanda.
“É essencial examinar o crescimento de forma detalhada, já que historicamente associamos a alta do petróleo ao avanço da economia brasileira, resultante de uma demanda global crescente. Contudo, hoje, o motivo da alta do petróleo é diferente”, explicou o presidente do Banco Central.
O comentário foi feito durante a entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre de 2026.
Galípolo ressaltou que, em choques de oferta como este, geralmente observa-se um aumento da inflação acompanhado por uma desaceleração do crescimento econômico. Ele também enfatizou a importância de compreender os desdobramentos da crise atual, especialmente considerando que o Brasil mantém uma taxa de juros elevada.
Questão central no Oriente Médio
O líder do Banco Central comentou que a principal dificuldade em relação ao conflito no Oriente Médio é o tempo necessário para compreender completamente a situação, reconhecendo que esse tempo varia conforme os agentes envolvidos.
Galípolo destacou que diversos governos mundialmente responderam rapidamente ao choque no preço do petróleo para mitigar seus efeitos nos custos, utilizando medidas como cortes tributários e acionamento de reservas emergenciais.
Ele também observou que o impacto do atual choque vai além da logística, relacionada ao bloqueio do estreito de Ormuz, afetando a capacidade produtiva, que pode sofrer danos prolongados e demandar longa recuperação. Além disso, ressaltou que as consequências não se restringem ao petróleo, mas atingem também outros mercados e produtos.
O presidente do Banco Central frisou que o mundo está vivenciando seu quarto grande choque de oferta na última década, evidenciando riscos de efeitos secundários duradouros.
Ele concluiu mencionando que choques anteriores recentes envolveram a pandemia de covid-19, o conflito na Ucrânia e disputas tarifárias entre países.


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