Brasil
Indígenas protestam ocupando terminal da Cargill no Pará
Cerca de 100 indígenas ativistas ocuparam um porto da empresa Cargill em Santarém, no Pará, durante o fim de semana, manifestando contra a exploração dos rios da Amazônia para o transporte de grãos.
Os manifestantes permaneceram acampados diante do terminal por mais de um mês.
Atendendo a uma ordem judicial de despejo, decidiram aumentar a pressão no sábado, invadindo o terminal e ocupando áreas como os escritórios de controle e vigilância. A ocupação segue no domingo.
Cargill informou que as operações no terminal foram paralisadas por conta de “conflitos decorrentes de uma disputa entre governo e comunidades indígenas”.
Os indígenas pedem a anulação de um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que aponta os principais rios da Amazônia como áreas prioritárias para transporte de cargas e expansão de portos privados.
Alessandra Korap, líder do povo munduruku, declarou: “Só sairemos se Lula cancelar essa lei”.
As comunidades indígenas rejeitam o crescimento dos portos e a dragagem dos rios, essenciais à sua forma de vida.
Recentemente, o governo federal anunciou a suspensão da dragagem no rio Tapajós, importante afluente do Amazonas.
No entanto, Korap considerou essa medida insuficiente, dizendo que o governo tentou enganar os povos indígenas.
Os manifestantes penduraram uma faixa na estrutura com os dizeres “Não à dragagem”.
Cargill pediu que as partes envolvidas mantenham a segurança e busquem um diálogo construtivo para retomar as operações.
Korap afirmou que a pressão da empresa sobre o governo é para que eles sejam retirados do local.
A multinacional, sediada em Minnesota, atua na logística agrícola em todo o Brasil, empregando cerca de 11 mil funcionários.
Na sexta-feira anterior, outros indígenas protestaram diante de outra unidade da Cargill em São Paulo.
Thiago Guarani declarou: “Se iniciar a dragagem e a contaminação dos rios, estes deixarão de ser patrimônios da humanidade para se tornarem propriedades privadas. Por isso exigimos a revogação do decreto”.
O Brasil lidera a exportação mundial de soja e milho; o objetivo dos portos fluviais na Amazônia é tornar o transporte desses produtos mais econômico.

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