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Indonésia envia até 8 mil soldados para missão de paz em Gaza
A Indonésia começou a preparar um grupo de até 8 mil soldados para participar de uma força internacional de paz destinada a Gaza, marcando seu primeiro compromisso serio com um dos planos essenciais de reconstrução após o conflito, promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Com vasta experiência em operações de manutenção da paz, sendo um dos maiores colaboradores das missões da ONU, incluindo no Líbano, a Indonésia tem contribuído significativamente com ajuda humanitária para Gaza, como o financiamento de um hospital.
Entretanto, muitos cidadãos do país demonstram desconfiança quanto à iniciativa do presidente Prabowo Subianto de se integrar ao Conselho de Paz sugerido por Washington e de participar da Força Internacional de Segurança. As informações sobre o funcionamento dessas ações ainda são vagas, e alguns veem a adesão como uma submissão à agenda de Trump, que também negocia um acordo comercial com a Indonésia.
Segundo Muhammad Zulfikar Rakhmat, especialista em Oriente Médio do Centro de Estudos Econômicos e Jurídicos de Jacarta, “É fundamental garantir que nossos militares não estejam cooperando com as forças israelenses”. Ele alerta para o cuidado em evitar que as tropas da Indonésia lutem contra inimigos em conflitos locais.
Embora as forças de paz da ONU possuam mandatos claros e rigorosos, há dúvidas sobre como o Conselho de Paz e a segurança israelense atuarão fora da ONU. O recente acordo de cessar-fogo menciona que as forças israelenses apoiarão as forças policiais palestinas aprovadas em Gaza e colaborarão para assegurar a segurança nas fronteiras com Israel e Egito.
Atualmente, a Indonésia recebe compensações da ONU pelo envio de tropas para missões de paz, mas existe receio de que precise arcar com os custos do envio das tropas a Gaza, além de uma possível taxa de US$ 1 bilhão para obter um assento permanente no Conselho de Paz, conforme indicado em um documento preliminar.
Como o país muçulmano com maior população mundial, a Indonésia apoia firmemente a solução de dois Estados para o conflito no Oriente Médio. As autoridades afirmam que a participação no Conselho de Paz visa defender os interesses palestinos, visto que Israel tem representação no conselho, mas a Palestina não.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Yvonne Mewengkang, ressaltou que a presença da Indonésia no Conselho busca garantir que o processo de paz foque nos interesses palestinos, respeitando seus direitos fundamentais e incentivando uma solução que beneficie dois Estados independentes.
O jornal Jakarta Post criticou esta postura em editorial, alegando que a independência de um Estado palestino pode levar décadas para ocorrer e que a Indonésia poderá gastar grandes recursos financeiros, políticos e diplomáticos, sem resultados significativos no curto prazo.
Inicialmente planejado para ser um grupo pequeno de líderes supervisionando o plano de Trump para Gaza, o Conselho de Paz foi visto pelo presidente dos EUA como um mediador para conflitos globais, em uma posição que ignora o mandato da ONU.
O ex-general Prabowo Subianto, empenhado em aumentar a presença internacional da Indonésia, aceitou o convite de Trump para integrar o Conselho e comprometeu-se a enviar 20 mil soldados como forças de paz na Assembleia Geral da ONU.
Um grupo de estudiosos e ativistas muçulmanos lançou uma petição online criticando essa adesão, apontando que o conselho liderado por Trump, que tem tomado decisões controversas como a anexação da Groenlândia e o veto a resoluções do Conselho de Segurança da ONU, dificilmente promoverá a paz. A petição, já com mais de 9 mil assinaturas, pede que a Indonésia se retire do Conselho de Paz.
Apesar das controvérsias, o treinamento das tropas segue em frente. O chefe do Estado-Maior do Exército, general Maruli Simanjuntak, confirmou o início dos treinamentos, prevendo o envio de entre 5 mil e 8 mil soldados, incluindo profissionais de engenharia e da área médica, típicos das forças de paz.
Hassan Jouni, analista no Catar e ex-general libanês, apontou que a Indonésia é vista como uma mediadora honesta na região, devido à sua identidade religiosa muçulmana, que não representa uma ameaça estratégica para Israel, e já atua de forma equilibrada em conflitos no Líbano.
Embora a Indonésia não tenha relações diplomáticas oficiais com Israel e apoie os direitos dos palestinos, seu posicionamento não é diretamente agressivo, diferentemente de outras potências de maioria muçulmana.
Espera-se que o mesmo equilíbrio seja mantido em Gaza, e muitos aguardam detalhes da primeira reunião do Conselho de Paz em Washington, onde outros países também anunciarão seus compromissos. O presidente Prabowo planeja participar e possivelmente assinar um novo acordo comercial durante o evento.
Muhammad Zulfikar Rakhmat acredita que a opinião pública interna dificilmente influenciará a decisão do governo de participar da iniciativa, afirmando que a oposição não deve alterar significativamente essa postura.

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