Economia
Investidores esperam reembolso do FGC após fechamento do Banco Master
Os clientes do Banco Master que aplicaram em investimentos protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), como CDBs, LCIs e LCDs, aguardam o ressarcimento há mais de 50 dias desde que o Banco Central decretou a liquidação da instituição em 18 de novembro.
O FGC anunciou que cerca de 1,6 milhão de investidores têm direito à compensação, limitada a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, totalizando aproximadamente R$ 41 bilhões em indenizações.
Apesar de não haver prazo determinado para o pagamento, muitos investidores relatam preocupação com a demora e reclamam que o valor a ser devolvido não inclui correção pela inflação.
Eduardo Rossini, advogado de 37 anos, que reside em São Paulo, investiu R$ 190 mil ao longo dos anos e tem cerca de R$ 230 mil a receber do FGC. Segundo ele, a demora o fará repensar futuras aplicações em bancos menos conhecidos.
– Investi no Master confiando no FGC. Já recebi indenizações do FGC em outras liquidações, como do Banco BRK e da Portocred, e achei que seria rápido desta vez também – disse. – Agora, pretendo diversificar mais ou optar por investimentos de bancos consolidados que dificilmente enfrentam liquidação.
O FGC informou que aguarda informações dos bancos envolvidos para iniciar os pagamentos o quanto antes. A empresa responsável pela liquidação, EFB Regimes Especiais de Empresas, declarou que o processo de consolidação dos dados está em andamento, o que é necessário para efetuar os pagamentos.
Enquanto isso, os investidores enfrentam ansiedade pelo processo demorado e pela ausência de rendimento sobre os valores parados, conforme regras do mercado financeiro.
Tainá Sato, arquiteta de 32 anos, e o marido, consultor Idineu Spadari, têm cerca de R$ 30 mil para receber e lamentam que o dinheiro esteja parado.
– Poderia estar usando ou reinvestindo esse valor, mas, por enquanto, só espero o recebimento – afirmou.
Felipe Miras, engenheiro também de São Paulo, investiu R$ 10 mil e teme uma possível reversão da liquidação, embora considere improvável. Para ele, a ausência de correção é uma perda financeira.
– Quando o fundo ressarcir, vou buscar outro CDB ou investir no Tesouro, onde tenho a maior parte das aplicações – explicou.
Marcelo Atique, aposentado de Brasília, registrou reclamações sobre a demora de devolução no site Reclame Aqui. Com R$ 109 mil investidos, ele foi atraído pelos altos rendimentos do Master, que chegavam a 140% do CDI.
– Foi o rendimento que me chamou a atenção. Mesmo com rumores, deixei o dinheiro porque os pagamentos ocorriam normalmente e o valor era garantido pelo FGC. Agora, essa quantia faz falta para complementar minha aposentadoria – afirmou.
Gustavo Kloh, advogado e professor de Direito na Fundação Getúlio Vargas, explica que processos assim tendem a ser longos, mas acredita que os ressarcimentos ocorrerão em breve.
– A liquidação bancária segue regras específicas e o Banco Central nomeia o liquidante responsável por ranquear os créditos. O consumidor geralmente fica entre os últimos na ordem de pagamento – comentou.

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