Economia
Investidores vendem títulos públicos devido à guerra sem previsão de fim
Os mercados globais de títulos públicos enfrentam forte pressão nesta segunda-feira, 23, enquanto investidores retiram seus recursos devido à intensificação do conflito no Oriente Médio. A escalada da crise, marcada por ameaças dos EUA e do Irã a ativos energéticos na região, ocorre após o presidente americano Donald Trump impor um prazo de 48 horas para a reabertura do Estreito de Ormuz.
O fechamento contínuo desta passagem marítima, vital para o transporte energético mundial, mantém os preços do petróleo elevados, alimentando temores inflacionários e reforçando expectativas de aumento das taxas de juros.
Hauke Siemssen, estrategista de juros do Commerzbank, comentou: “Os mercados de títulos continuam sob intensa pressão, pois o prazo imposto por Trump cria incerteza. Os riscos de aumento dos preços do petróleo e da inflação permanecem altos.”
Os rendimentos dos títulos de 10 anos dos EUA chegaram a 4,437%, o maior patamar desde julho do ano passado, conforme dados da Tradeweb. Na Europa, o yield do Bund alemão também subiu para 3,076%, alcançando o nível mais alto desde 2011, enquanto o rendimento britânico do Gilt atingiu 5,102%, seu maior valor desde 2008.
Países endividados na zona do euro, como Itália e França, viram seus rendimentos crescerem significativamente, ampliando o diferencial em relação à Alemanha. O yield do BTP italiano superou 4% pela primeira vez desde julho de 2024, chegando a 4,055%, enquanto o spread entre títulos italianos e alemães atingiu o maior nível desde meados de 2025. O diferencial entre França e Alemanha registrou seu ponto mais alto desde novembro de 2025.
O preço do barril de Brent subiu 2%, alcançando US$ 108,55, após ter ultrapassado US$ 119 na semana anterior.
A intensificação do conflito aumenta o risco de estagflação — cenário de inflação elevada combinada com crescimento econômico lento —, especialmente em países da zona do euro que dependem fortemente da importação de energia.
Analistas do First Abu Dhabi Bank afirmam: “É provável que uma recessão seja precedida, no curto prazo, por um cenário de estagflação, já que o impacto dos preços altos da energia sobre o crescimento global e a inflação afeta negativamente o apetite por risco.”
A incerteza sobre a duração e o desfecho da guerra persiste, mas os mercados podem se recuperar rapidamente frente a sinais de redução do conflito.
Mark Haefele, diretor de investimentos do UBS Global Wealth Management, destaca: “Histórico mostra que os mercados podem se recuperar rapidamente quando as tensões geopolíticas diminuem.”
Aaron Hill, analista-chefe de mercado da FP Markets, indica que uma solução para o conflito poderia reverter as expectativas de aumento de juros e reduzir os preços de energia. Porém, um prolongamento da guerra manteria os preços elevados e aumentaria os riscos de estagflação, impactando fortemente o crescimento global.

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