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Irã alerta que EUA e Israel estarão em perigo em qualquer lugar
A Guarda Revolucionária iraniana declarou nesta segunda-feira (2) que os Estados Unidos “não estarão seguros em lugar algum do mundo”. Essa fala ocorreu no terceiro dia de um conflito no qual foi morto o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.
A unidade de elite militar conhecida como Força Quds, responsável por operações externas, comunicou através da TV estatal que não vai descansar “até que o inimigo seja derrotado” e que os adversários “não estarão mais seguros em nenhum lugar, nem mesmo em suas próprias casas”.
Mais cedo, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não ficará “em silêncio” após denunciar ataques contra uma escola e um hospital atribuídos a bombardeios americanos e israelenses.
“Atacar hospitais é um atentado contra a vida e atacar escolas é um atentado contra o futuro da nação (…). O mundo precisa condenar esses atos”, escreveu Pezeshkian.
“O Irã não ficará em silêncio e não cederá diante desses crimes”, complementou. O Irã relatou que um bombardeio no sábado matou 168 pessoas em uma escola no sul do país, mas nem os EUA nem Israel confirmaram o ataque, que não pôde ser verificado pela AFP devido à impossibilidade de acesso à região. Em Teerã, um hospital sofreu danos no domingo.
Expansão do conflito
Os Estados Unidos indicaram nesta segunda-feira que pretendem aumentar sua participação militar no conflito contra o Irã. Na Casa Branca, o presidente Donald Trump afirmou que uma série de ataques contra Teerã está por vir. Em entrevista ao jornal New York Post, o republicano disse não ter medo de enviar tropas ao Irã.
Na coletiva no Pentágono, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas americanas, anunciaram a ampliação do uso de caças na Operação Fúria Épica.
O conflito se espalhou para outros países após confrontos entre Israel e o grupo xiita Hezbollah, aliado de Teerã. O Irã também lançou ataques com drones contra alvos no Kuwait, Catar e Arábia Saudita.
Em paralelo, o chefe de Segurança do Irã, Ali Larijani, declarou que o país não negociará com os Estados Unidos.
“Esta é nossa oportunidade de agir, e é isso que estamos fazendo. Este regime doente e maligno será destruído, especialmente sua capacidade de lançar mísseis”, afirmou Trump durante uma cerimônia em homenagem a quatro soldados americanos mortos no conflito.
Hegseth disse que o objetivo militar dos EUA é eliminar a capacidade do Irã de lançar ataques balísticos e navais contra israelenses e interesses americanos no Oriente Médio, além de eliminar o programa nuclear iraniano, que já foi alvo de ataques aéreos em anos anteriores sem sucesso.
Duração e intensidade do conflito
Trump estimou que a guerra deve durar de quatro a cinco semanas, mas afirmou que as tropas americanas podem permanecer pelo tempo necessário. Segundo ele, o planejamento inicial previa eliminar a liderança militar iraniana em até quatro semanas, mas isso foi conseguido em poucas horas.
O presidente declarou que os EUA utilizarão todo o tempo necessário para vencer o conflito, que, segundo ele, será fácil.
Antes da cerimônia, em conversa telefônica com o apresentador Jake Tapper, da CNN, Trump afirmou que os EUA estão impondo grande pressão contra o Irã e que os ataques mais intensos ainda estão por ocorrer.
“Estamos utilizando as melhores forças militares do mundo”, destacou.
Trump também mencionou que os EUA ajudarão o povo iraniano a retomar o controle do país, ao mesmo tempo em que pediu cautela para que todos permaneçam em casa, pois “não é seguro”.
Ele afirmou que o maior ponto surpreendente desde o início do conflito foram os ataques iranianos contra países árabes da região, como Bahrein, Jordânia, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos.
“Ficamos surpresos, pois esperávamos pouca participação deles, mas agora o confronto está se intensificando”, concluiu Trump.

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