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Irã otimista para negociações com EUA

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O presidente do Irã demonstrou otimismo nesta quarta-feira (25), antes de iniciar uma nova rodada de conversações com os Estados Unidos em Genebra. As negociações acontecem após o presidente Donald Trump acusar Teerã de desenvolver mísseis capazes de atingir solo americano e perseguir ambições nucleares.

Trump elevou as ameaças de uma possível ação militar contra o Irã caso não se chegue a um acordo sobre o programa nuclear e despachou uma força militar significativa para o Oriente Médio, incluindo um porta-aviões.

Neste contexto de pressão, os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra o Irã. O vice-presidente JD Vance afirmou que Teerã deve levar a sério os alertas americanos sobre uma potencial intervenção militar. Mesmo assim, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, mantém uma visão positiva sobre as negociações agendadas para amanhã, com mediação de Omã.

“Enxergamos uma boa chance para o progresso nas negociações”, afirmou Pezeshkian. “Estamos conduzindo o processo sob orientação do líder supremo para sair do impasse atual, que está entre a guerra e a paz.”

O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, e sua equipe chegaram hoje a Genebra para encontros amanhã com o ministro das Relações Exteriores de Omã, onde apresentarão a posição do Irã sobre as sanções e o programa nuclear, segundo informações do Ministério das Relações Exteriores iraniano.

Trump declarou que o Irã estaria construindo mísseis capazes de alcançar os Estados Unidos em breve, além de manter suas sinistras ambições nucleares, o que foi negado oficialmente por Teerã.

Autoridades iranianas informam que o alcance máximo dos seus mísseis é de até 2.000 km, enquanto o Serviço de Pesquisa do Congresso dos Estados Unidos estima que eles alcancem cerca de 3.000 km, o que ainda é insuficiente para atingir o território continental americano.

Apesar das negativas do Irã quanto a ambições nucleares militares, o país afirma seu direito ao uso pacífico da energia nuclear conforme previsto no Tratado de Não Proliferação (TNP). Trump disse preferir uma solução diplomática para a questão nuclear, mas garantiu que jamais permitirá que o Irã adquira armas nucleares.

JD Vance declarou em entrevista que o presidente tem outros meios para impedir a produção de armas nucleares pelo Irã. “Espero que os iranianos levem as negociações a sério, pois essa é a preferência do presidente.”

O Departamento do Tesouro americano impôs novas sanções contra mais de 30 pessoas, organizações e embarcações por suposto envolvimento em vendas ilegais de petróleo iraniano e apoio à produção de armamentos.

Desde fevereiro, Irã e Estados Unidos retomaram o diálogo iniciado em Omã, realizando cinco rodadas de conversações nucleares no ano passado, interrompidas por um conflito de 12 dias provocado por um ataque israelense. Durante o conflito, Washington bombardeou instalações nucleares iranianas.

Trump também acusou o governo iraniano de matar aproximadamente 32 mil pessoas durante a repressão aos protestos sem precedentes em janeiro.

As autoridades iranianas contabilizam mais de 3 mil mortos e atribuem a violência a atos terroristas organizados pelos Estados Unidos e Israel.

Uma ONG de direitos humanos sediada nos Estados Unidos calcula que o número de mortos ultrapasse 7 mil, mas alerta que o real pode ser muito maior.

Moradores de Teerã relatam opiniões divididas sobre o risco de um novo conflito. Para alguns, a guerra já terminou, enquanto outros acreditam na possibilidade de êxito nas negociações. Mehdi, um vendedor que estava acordado, comentou: “Os americanos estão blefando.”

A dona de casa Tayebeh comentou que Trump afirma: “A guerra seria muito ruim para o Irã. Haveria fome e sofrimento. As pessoas já estão passando por dificuldades. Com a guerra, pelo menos, o destino ficaria claro.”

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