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Irã promete continuar guerra pelo tempo necessário
O Irã declarou na última segunda-feira (16) que está pronto para continuar o conflito armado enquanto for preciso, enquanto os Estados Unidos cobram que as potências mundiais ajudem suas forças a reabrirem o Estreito de Ormuz, vital para o transporte de combustíveis.
Os preços do petróleo dispararam entre 40% e 50% após ataques iranianos contra embarcações no Estreito e lançamentos de aeronaves não tripuladas no Golfo, como retaliação ao confronto iniciado pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro.
A Guarda Revolucionária do Irã informou que atacou Tel Aviv, o aeroporto Ben Gurion em Israel, além de bases americanas nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou: “Creio que eles já aprenderam uma lição valiosa e entenderam contra quem estão lidando, um país que não hesita em se proteger e está disposto a estender a guerra enquanto necessário”.
Objetivo: Resistência
Segundo o especialista David Khalfa, cofundador do centro Atlantic Middle East Forum em Paris, o plano do Irã é resistir, fazendo os americanos pagarem um custo alto.
O país aposta em uma tática de caos regional com recursos de baixo custo, especialmente usando drones de combate.
Os ataques iranianos continuam a atingir bases militares e interesses econômicos dos EUA na região do Golfo, bem como infraestruturas civis como aeroportos, portos e instalações petrolíferas.
Drones incendiaram um tanque de combustível próximo ao aeroporto de Dubai, um míssil causou a morte de um civil em Abu Dhabi, e outros ataques atingiram áreas que abrigam instalações de petróleo em Fujairah.
“Foram semanas difíceis, com explosões frequentes”, relatou uma testemunha no aeroporto de Dubai.
A capital do Iraque também sofreu com explosões, segundo o relato de um jornalista.
Israel não dá trégua e atacou recentemente as cidades iranianas Shiraz e Tabriz, conforme anúncio do Exército israelense.
O porta-voz militar israelense, general de brigada Effie Defrin, afirmou que a lista de alvos no Irã é extensa e constantemente atualizada.
Apesar das restrições na internet no Irã, a população tenta retomar suas rotinas. O trânsito aumentou no fim de semana e muitos estabelecimentos comerciais reabriram.
Pressão internacional no Estreito de Ormuz
O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu ajuda global para garantir a segurança do Estreito de Ormuz, que está bloqueado pelo Irã.
Em entrevista ao Financial Times, Trump incentivou a OTAN e a China a enviarem navios de guerra para garantir o trânsito nesse corredor pelo qual passa 20% do comércio mundial de petróleo e gás liquefeito.
Ele alertou para um futuro “muito ruim” para a OTAN caso o bloco não participe dessa ação.
Ministros da União Europeia discutiram possíveis mudanças na missão naval no Mar Vermelho, mas a maioria pede cautela antes de decisões.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, trabalha junto a aliados em uma solução coletiva para reabrir o Estreito, ressaltando que a OTAN não será envolvida.
O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, declarou que seu país não oferecerá participação militar, mas apoiará diplomaticamente a segurança da rota.
Porta-voz do chanceler alemão, Stefan Kornelius, reforçou que esse conflito não envolve a OTAN.
Japão e Austrália também descartaram ações militares.
Enquanto isso, um petroleiro do Paquistão atravessou o Estreito no domingo com sistema de rastreamento ativado.
Operações no Líbano
Israel anunciou que realizou operações terrestres limitadas contra o grupo Hezbollah no sul do Líbano, visando fortalecer sua área de defesa avançada.
O Líbano entrou no conflito a partir de 2 de março, após ataque do Hezbollah em resposta à morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei no primeiro dia dos ataques.
Desde o começo do conflito, Israel promove evacuações em larga escala em várias regiões do Líbano, provocando uma grave crise humanitária devido ao deslocamento massivo de civis.

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