Conecte Conosco

Mundo

Israel e EUA atacam quase 400 unidades de saúde no Líbano e Irã

Publicado

em

O número de ataques realizados por Israel e Estados Unidos contra centros e profissionais de saúde tem aumentado consideravelmente na atual fase do conflito no Oriente Médio. No Líbano, 70 unidades de saúde sofreram bombardeios. No Irã, aproximadamente 300 estruturas do setor foram danificadas.

Esses ataques contra unidades de saúde configuram violação ao direito humanitário internacional. Até o momento, não há registro de ataques a centros médicos em Israel ou em outros países do Golfo Pérsico por forças iranianas.

No Líbano, desde 2 de março, o Ministério da Saúde relatou que 70 unidades de saúde foram atingidas por bombardeios, um aumento significativo em relação às 18 registradas duas semanas antes.

Dois paramédicos foram mortos na cidade libanesa de Nabatieh após um ataque israelense contra um comboio de motocicletas, conforme relatório da Agência Nacional de Notícias do Líbano.

Até o momento, os ataques no Líbano causaram a morte de 42 profissionais de saúde e ferimentos em 119 outros. Cinco hospitais tiveram que ser fechados, além de danos parciais em nove unidades, e 54 unidades básicas de saúde foram suspensas, segundo o governo local.

A Força de Defesa de Israel alega que o Hezbollah utiliza ambulâncias e instalações médicas para fins militares e que tomará medidas contra esta prática, conforme comunicado do porta-voz Avichay Adraee publicado no The Times of Israel.

A Anistia Internacional afirma que Israel não apresenta evidências para suas alegações e destaca a prática do país de atacar profissionais de saúde no conflito do Líbano em 2024. “Acusar instalações médicas de uso militar sem provas não justifica transformá-las em zonas de combate nem tratar médicos como alvos”, declarou Kristine Beckerle, diretora regional adjunta para o Oriente Médio e Norte da África da Anistia.

Esses danos têm aumentado a pressão sobre o já saturado sistema de saúde libanês, que precisa atender mais de 2,9 mil feridos do conflito, além dos demais pacientes em tratamento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirma repetidos ataques a profissionais e instalações de saúde no Líbano, causando múltiplas mortes, feridos e danos severos à infraestrutura hospitalar.

Irã

No Irã, o Ministério da Saúde comunicou que Israel e os EUA danificaram 313 unidades e equipamentos médicos, incluindo hospitais e ambulâncias, levando à morte de 23 profissionais de saúde.

A Crescente Vermelha Iraniana, organização humanitária, também relatou danos semelhantes, com 281 unidades afetadas, incluindo farmácias e filiais. Segundo Pir-Hossein Kolivand, presidente da entidade, 17 bases da Cruz Vermelha e 94 veículos de resgate foram alvejados diretamente por mísseis.

Até 18 de março, a OMS havia reconhecido ataques a 20 unidades de saúde no Irã, resultando em nove mortes.

Os EUA negam causar ataques a instalações civis no Irã, mas admitem que efeitos colaterais podem ocorrer em ações militares, conforme afirmou o secretário de Estado Marco Rubio.

Destruição como estratégia

O jornalista e especialista em geopolítica Anwar Assi avalia que o alto número de ataques no Irã e no Líbano não são acidentais, mas sim parte de uma estratégia deliberada. “Trata-se de um crime de guerra para pressionar e aterrorizar civis, mostrando que não haverá ajuda”, explicou. Ele ressaltou que essa abordagem é usada por Israel desde os anos 1990 com o intuito de fomentar revoltas para mudança de regime em Irã e Líbano, embora tais revoltas não ocorram.

Anwar também afirmou que além dos ataques diretos a hospitais, edifícios próximos às unidades de saúde são bombardeados, prejudicando o atendimento e forçando evacuações. Essa destruição indireta contribui para o colapso dos serviços hospitalares.

Gaza

Em Gaza, ataques a unidades de saúde também foram frequentes desde 7 de outubro de 2023. A OMS registrou 931 ataques a unidades médicas na região, além de 940 na Cisjordânia, decorrentes do uso da força ou obstruções aos serviços.

Desde essa data, 991 profissionais de saúde foram mortos e outros 2 mil ficaram feridos. Israel justifica esses ataques alegando que o Hamas utiliza unidades de saúde como escudo, o que foi negado pelo grupo palestino.

As forças militares de Israel afirmam seguir o direito humanitário e buscam minimizar mortes civis, emitindo alertas prévios para evacuações antes de ataques a determinadas áreas.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados