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Israel suspende batalhão após ataque a jornalista da CNN na Cisjordânia
O Exército de Israel informou nesta segunda-feira (30) que colocou um batalhão da reserva em suspensão devido a um ataque recente contra um fotojornalista e à detenção da equipe da CNN na Cisjordânia ocupada.
Na quinta-feira, um grupo da CNN estava registrando os efeitos de um ataque realizado por colonos e a instalação de um posto avançado próximo à localidade palestina de Tayasir (nordeste) quando foram impedidos por soldados israelenses, conforme comunicado da Associação da Imprensa Estrangeira (FPA).
De acordo com a FPA, um soldado israelense apontou sua arma para a equipe da CNN e, em seguida, agarrou o fotojornalista da emissora por trás, aplicando uma chave de estrangulamento, derrubando-o no chão e danificando sua câmera.
A CNN confirmou o ocorrido em um relatório e destacou a atuação do fotógrafo francês Cyril Theophilos.
Segundo a FPA, não se tratou de um equívoco, mas de um ato violento dirigido contra jornalistas claramente identificados, caracterizando uma ameaça direta à liberdade de imprensa.
De forma incomum, o Exército decidiu afastar o batalhão da Cisjordânia para submetê-lo a um processo de revisão profissional e ética. Após a conclusão desse processo, o batalhão retornará às suas atividades normais.
Este episódio marca o segundo incidente envolvendo a CNN neste mês.
Organizações defensoras dos direitos humanos relatam que jornalistas na Cisjordânia frequentemente enfrentam detenções, abusos e agressões, episódios que aumentaram desde o início do conflito em Gaza, em outubro de 2023.
Desde então, Israel tem se destacado como um dos países que mais prende jornalistas, conforme relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), baseado nos Estados Unidos.
O comitê destaca que mais de 60 jornalistas palestinos foram detidos por forças israelenses desde o começo da guerra em Gaza.
Embora repórteres estrangeiros tenham maior proteção, é comum que soldados em postos de verificação ou em locais de cobertura jornalística apontem armas contra os profissionais de imprensa.


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