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Economia

Jornada de trabalho menor não garante mais produtividade, diz economista da CNC

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O fim da jornada 6×1 precisa vir acompanhado de um aumento da produtividade no Brasil para beneficiar os trabalhadores sem trazer efeitos negativos. Essa é a opinião de Fabio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que divulgou uma análise sobre os possíveis impactos da redução da jornada de trabalho no setor comercial do país.

Conforme o estudo, com base em dados do IBGE, a implementação de um limite de 40 horas semanais poderia gerar um custo contábil de adequação de R$ 122,4 bilhões por mês. Esse montante, que recairia sobre os empregadores, poderia ser repassado aos consumidores, gerando um aumento médio de 13% nos preços finais.

De acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do IBGE, aproximadamente 93% dos trabalhadores do comércio têm jornadas superiores a 40 horas semanais no Brasil.

Fabio Bentes explica que, para manter o funcionamento atual dos estabelecimentos sem redução de dias e horários, seriam necessárias a contratação de cerca de 986 mil trabalhadores adicionais. Entretanto, a falta de mão de obra qualificada e o aumento dos custos preocupam os empregadores.

“Se aumento o custo do comerciante, ele acabará repassando para o preço”, afirma. “Isso significaria mais empregos, mas com um custo maior, em um cenário de escassez de trabalhadores no comércio.”

Bentes menciona dados do Banco Mundial que indicam que, embora os países desenvolvidos tenham jornadas menores que as do Brasil, eles conseguem garantir melhor qualidade de vida aos trabalhadores devido à maior produtividade.

Para ele, é fundamental incentivar uma mão de obra mais qualificada no país, aumentando a eficiência, para que a redução da escala 6×1 seja viável sem grandes problemas.

O estudo foi apresentado no debate “Jornada de trabalho e estabilidade do ambiente de negócios”, promovido pela CNC.

Atualmente, está em análise no Congresso Nacional uma proposta da PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que busca diminuir a jornada para 36 horas semanais distribuídas em quatro dias, sem reduzir salários. Também há uma proposta para uma redução gradual para 40 horas semanais, com um período de transição e medidas de compensação econômica, apresentada pelo deputado Luís Gastão (PSD-CE).

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