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Juiz dos EUA derruba restrições do Pentágono à imprensa
Um juiz federal dos Estados Unidos declarou nesta sexta-feira (20) que as barreiras impostas pelo Pentágono ao acesso da imprensa são inconstitucionais. Essas regras levaram à perda de credenciais de várias organizações jornalísticas.
O juiz em Washington afirmou que vários pontos da nova política de credenciamento violam a Primeira e a Quinta Emendas da Constituição dos EUA, respondendo a um processo movido pelo The New York Times.
Grandes veículos de comunicação nacionais e internacionais, como AFP, AP e Fox News, recusaram-se a aceitar a nova política, que exige permissão explícita para publicar certas informações, sob ameaça de perder o acesso.
Esse conflito acontece em meio à campanha de bombardeios dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro.
A decisão judiciária destacou que, embora a segurança nacional seja importante, é fundamental que o público tenha acesso a informações sobre a guerra com o Irã e a recente atuação americana na Venezuela.
“Nunca foi tão crucial que as pessoas recebam notícias de múltiplas fontes sobre as ações do governo, para que possam escolher apoiar ou criticar essas políticas”, declarou o juiz.
“E que possam decidir, de forma informada e aberta, em quem votar nas próximas eleições”, acrescentou.
Implementada em outubro, a nova regra do Pentágono é a mais recente restrição ao trabalho da imprensa para obter informações do maior empregador do país, que maneja um orçamento bilionário.
No início do ano passado, o Departamento de Defesa ordenou que oito grandes organizações de mídia, incluindo The New York Times, The Washington Post, CNN, NBC e NPR, desocupassem seus escritórios no Pentágono, dando lugar a meios de perfil mais conservador.
Além disso, a política exigia escolta oficial para jornalistas que se deslocassem fora de áreas específicas, outra barreira imposta aos profissionais de imprensa.
A Associação de Imprensa do Pentágono (PPA) celebrou a decisão e pediu que as credenciais retiradas fossem devolvidas aos jornalistas que não aceitaram assinar a nova política. Segundo a PPA, “Este é um dia importante para a liberdade de imprensa nos Estados Unidos e um momento para que a liderança do Pentágono reveja as medidas rigorosas que limitam o acesso à informação em tempos de conflito”.

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