Brasil
Julgamento da extradição de Carla Zambelli será nesta terça
Após ter sido adiado por quatro vezes, o julgamento para decidir sobre a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), atualmente presa em Roma, Itália, está agendado para esta terça-feira (10). A decisão ficará a cargo da Justiça italiana.
Condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Zambelli teve sua extradição solicitada à Itália após ter deixado o Brasil, o que resultou em sua detenção pelas autoridades italianas. Agora, cabe às instâncias judiciais daquele país conduzir o processo que definirá se a extradição será autorizada ou não, especialmente considerando que a ex-parlamentar também possui cidadania italiana.
A defesa de Zambelli na Itália demonstra otimismo quanto ao resultado da audiência. De acordo com o advogado Fabio Pagnozzi, que a representa, o senador italiano Matteo Gelmetti tem atuado junto ao Ministério da Justiça para impedir a extradição, alegando possível violação de garantias processuais no Brasil pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
“O senador, que pertence ao partido da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, tem pressionado o ministro da Justiça a não autorizar a extradição, questionando ainda a condução do processo no Brasil por um ministro que atuou simultaneamente como relator, vítima e acusador”, afirmou Pagnozzi.
Procurado via assessoria do STF e gabinete, Moraes ainda não se manifestou. O espaço permanece aberto.
Além disso, segundo a defesa, Gelmetti solicitou esclarecimentos às autoridades italianas sobre como o deputado Angelo Bonelli, do Partido Verde da Itália, obteve o endereço de Zambelli em Roma.
“O senador requisitou informações sobre como o endereço da ex-deputada foi divulgado por um deputado de esquerda, posto que ele não teria acesso às investigações da polícia local”, explicou Pagnozzi. “Esse fator pode modificar bastante o cenário.”
Em julho do ano passado, Bonelli publicou em sua rede social X que localizou Zambelli em Roma e forneceu seu endereço para as autoridades. “Carla Zambelli está em um apartamento, em Roma. Informei o endereço à polícia; neste momento, as autoridades estão identificando Zambelli“, escreveu na ocasião.
Bonelli, de 62 anos, é ativista ambiental e presidente da Aliança Verde-Esquerda desde 2022, coligação opositora ao governo de Giorgia Meloni.
Conforme apurado, a localização de Zambelli foi realizada pelo adido da Polícia Federal em Roma, que atua junto à embaixada brasileira, em cooperação com as autoridades italianas. A prisão aconteceu no mesmo dia da divulgação feita por Bonelli. Desde então, a ex-deputada está detida na capital italiana.
No âmbito brasileiro, Zambelli foi condenada em duas ocasiões pelo STF. Na primeira decisão, recebeu uma pena de dez anos de prisão por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, em conluio com o hacker Walter Delgatti Neto. Delgatti declarou ter sido contratado por ela para inserir documentos falsos no sistema do CNJ, inclusive um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes.
Após essa condenação, Zambelli fugiu do país, culminando em sua detenção na Itália em operação conjunta entre a Polícia Federal brasileira e as autoridades locais.
A segunda sentença aplicada pelo STF estabeleceu uma pena de cinco anos e três meses em regime inicial semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, além de perda do mandato após o trânsito em julgado.
Esse último caso envolve um incidente ocorrido durante as eleições de 2022, no qual a parlamentar foi filmada portando uma pistola enquanto perseguia um homem negro, que acabou sendo agredido por outras pessoas. Um disparo foi realizado pelo grupo do qual Zambelli fazia parte. A ex-parlamentar alega ter sido agredida.

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