Economia
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A liquidação extrajudicial ganhou destaque recentemente com os casos do Banco Master e do Will Bank, hospitais que faziam parte do mesmo grupo financeiro. O Banco Master entrou em liquidação em novembro de 2025, enquanto o Will Bank somente foi liquidado em 21 de abril de 2026. Essa diferença no tempo de liquidação causou dúvidas entre investidores e clientes.
De acordo com o Banco Central (BC), após a liquidação do Master, o Will Bank passou a ser administrado temporariamente pelo órgão, que assumiu o controle para garantir a continuidade das operações, evitar prejuízos imediatos aos clientes e buscar alternativas para manter o banco em funcionamento, como a venda a um novo investidor.
O Banco Central divulgou que tentou encontrar uma solução para preservar as operações do Will Financeira, braço digital do grupo Master focado em clientes de menor renda, especialmente no Nordeste, embora não tenha confirmado se houve tentativa de venda da instituição.
No entanto, a situação financeira do Will Bank piorou, com aumento das dívidas e dificuldades nas operações. O fator determinante para a liquidação foi o não cumprimento dos acordos de pagamento com a Mastercard, o que levou ao bloqueio do banco na rede da bandeira e à suspensão dos cartões. Segundo o BC, essa situação caracterizou a insolvência do banco.
Em comunicado oficial, o Banco Central declarou que a liquidação foi inevitável devido à situação financeira crítica do Will Bank, sua incapacidade de cumprir obrigações e sua ligação direta com o Banco Master, que já estava em liquidação.
O que é liquidação extrajudicial?
Esse procedimento é utilizado para encerrar de forma organizada instituições financeiras em crise grave. Quando aplicado, causa preocupação entre clientes, que ficam inseguros sobre o destino de suas contas e investimentos.
Esse regime é adotado quando a saúde financeira do banco se torna insustentável. O principal objetivo é proteger os depositantes, credores e o sistema financeiro, evitando prejuízos maiores ou falência desordenada.
Quem decide pela liquidação?
O Banco Central é a autoridade responsável por decretar a liquidação extrajudicial das instituições financeiras. A decisão pode partir do próprio órgão regulador ou dos administradores da instituição, desde que previsto em estatuto. A medida é aplicada em casos como insolvência irreversível, descumprimento de normas, fraudes ou gestão inadequada.
Além dos bancos, outras entidades, como seguradoras, planos de previdência privada aberta e operadoras de planos de saúde, também podem ser sujeitos ao regime, conforme regulamentação das respectivas autoridades.
O que acontece após a liquidação?
As operações do banco são suspensas: contas, transferências, cartões e novos contratos deixam de funcionar. Um liquidante nomeado pelo Banco Central realiza o inventário de bens, dívidas e créditos, vende ativos e organiza o pagamento dos credores conforme a legislação.
Como ficam os clientes?
Os clientes perdem o acesso imediato aos serviços do banco e os saldos existentes se tornam parte dos débitos da instituição. Os correntistas passam a ser credores no processo de liquidação, com pagamentos dependentes das garantias disponíveis e do andamento dos trabalhos do liquidante.
Proteção de dinheiro e investimentos
Depósitos e alguns investimentos são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), formado por recursos das instituições financeiras. Esse fundo assegura cobertura de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição, para produtos como conta corrente, poupança, CDB, RDB, LCI e LCA.
No caso de conglomerados financeiros, o valor garantido pode variar conforme a data de emissão dos títulos e o enquadramento pelo FGC, o que pode reduzir a cobertura efetiva.
O FGC está desembolsando R$ 40,6 bilhões para cerca de 800 mil investidores do Banco Master, valor que superou as previsões iniciais. A liquidação elevou o passivo em R$ 6,3 bilhões, totalizando R$ 46,9 bilhões, o que corresponde a mais de um terço do patrimônio do fundo.
Dívidas e obrigações continuam valendo?
Sim, empréstimos, financiamentos e faturas continuam válidos, mas a administração desses contratos passa a ser feita pelo liquidante ou por outra instituição que assumir parte das operações.
Bloqueio de bens dos administradores
A legislação prevê o bloqueio dos bens dos controladores e ex-administradores da instituição liquidada, impedindo transferências até que sejam averiguadas possíveis responsabilidades, o que protege os credores.
O que o cliente deve fazer?
Quem possui conta ou investimentos em bancos liquidados deve reunir documentos como extratos e contratos, e acompanhar apenas comunicados oficiais do Banco Central, do liquidante e do Fundo Garantidor de Créditos. O FGC não cobra taxas para pagamentos e alerta para golpes em períodos de instabilidade bancária.
Diferença entre liquidação e falência
Embora parecidos, os processos são distintos. A liquidação extrajudicial é um procedimento inicial, sob supervisão do Banco Central, e pode evoluir para falência se os ativos forem insuficientes ou se houver indícios de irregularidades graves.
Os casos do Banco Master e do Will Bank ressaltam a importância de o consumidor entender o procedimento de liquidação extrajudicial e seus direitos diante de crises no sistema financeiro.

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