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Juros sobem com tensão no Irã e corte da Selic pode ser menor

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Inicialmente, o mercado de juros futuros reagiu de forma moderada aos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã. Contudo, a percepção de que o conflito poderá durar mais tempo, pressionando os preços do petróleo, resultou em aumento consistente das taxas em todos os prazos nesta terça-feira.

As taxas futuras refletiram desdobramentos recentes, como o fechamento do Estreito de Ormuz, que ameaça a oferta global de petróleo, elevando preocupações com uma possível escalada da inflação mundial.

Apesar do aumento no risco geopolítico, a expectativa é que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicie em março um ciclo de redução da taxa Selic, porém agora com maior divisão entre apostas de corte de 25 ou 50 pontos-base, com leve preferência pelo menor corte.

Com foco na guerra no Oriente Médio, dados econômicos do quarto trimestre de 2025 e o desempenho do mercado de trabalho em janeiro passaram para segundo plano. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram criados 112.334 empregos formais no mês, superando a projeção de 92 mil vagas.

Na terça-feira, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,296% para 13,445%. O DI para janeiro de 2029 avançou para 12,97% e o de janeiro de 2031 chegou a 13,360%.

Dan Katz, primeiro diretor-geral adjunto do Fundo Monetário Internacional (FMI), destacou que a piora nas tensões no Golfo pode afetar significativamente a economia global, influenciando tanto a inflação quanto o crescimento. Ele ressaltou que a alta do petróleo e gás é um canal importante, e que o aumento das taxas de juros nos mercados financeiros representa as consequências para os preços.

Segundo cálculos do Bradesco, considerando um repasse de cerca de 50% aos combustíveis se o barril de petróleo Brent estabilizar em US$ 80, o impacto no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) seria de 0,4 ponto percentual. Ainda assim, a política monetária tende a não reagir a choques primários.

Os efeitos para a inflação são incertos, assim como a duração do conflito, mas os mercados precificam a ideia de que a tensão no Golfo tende a persistir no curto prazo, conforme afirmou Gean Lima, gestor da Connex Capital. Essa opinião ganha força após a declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o Irã deseja diálogo, mas que agora é tarde demais.

Gean Lima ressaltou que há indicações de que o conflito será mais prolongado que o esperado e que o bloqueio do Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do transporte mundial de petróleo, terá impacto significativo na economia global.

O cenário-base da Connex indica corte de 50 pontos-base da Selic na reunião do Copom deste mês, mas o gestor destaca que os novos riscos globais podem levar a um movimento mais cauteloso, com uma redução menor de 25 pontos-base.

Esse passou a ser o consenso do mercado para a próxima reunião do Copom, com cerca de 54% de chance de corte de 0,25 ponto em março, contra 46% para uma redução de 50 pontos-base. A taxa projetada para o final do ano subiu para 12,5%, ante 12,36% no fechamento anterior.

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