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Justiça do RJ manda prender ex-CEO da Hotel Urbano novamente

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O juiz André Felipe Veras de Oliveira, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), ordenou nesta quinta-feira (8) a prisão preventiva de João Ricardo Rangel Mendes, ex-CEO da Hurb (Hotel Urbano).

Mendes está sendo processado por furto de obras de arte e, na última segunda-feira (5), foi detido no aeroporto de Jericoacoara portando documento de identidade falso e com a tornozeleira eletrônica desligada.

A defesa afirmou ao Estadão que o principal foco é o restabelecimento completo da saúde do ex-CEO.

Mendes já havia sido preso preventivamente anteriormente por furto, mas foi liberado sob certas condições: uso da tornozeleira eletrônica, autorização judicial para viagens fora do Rio de Janeiro por mais de 30 dias, comparecimento mensal ao Juízo e entrega de relatórios médicos regulares.

Em abril de 2025, ele foi preso em flagrante por furtar obras de arte de um hotel de luxo e um shopping na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. O Ministério Público o denunciou pelos crimes de furto qualificado e adulteração de identificação de veículo.

Na segunda-feira (5), Mendes tentou embarcar de Jericoacoara para Guarulhos com um documento falso. A suspeita dos funcionários do aeroporto motivou a polícia a agir, constatando a adulteração e prendendo o ex-CEO. Ele estava com a tornozeleira descarregada.

Após liberação, o Ministério Público do Rio de Janeiro solicitou sua prisão preventiva devido ao incidente.

O MP-RJ ressaltou que o uso do documento falso, a ausência de relatórios médicos desde setembro de 2025, e a reincidência em deixar a tornozeleira descarregada demonstram desrespeito às medidas cautelares e às ordens judiciais.

O juiz aceitou os argumentos do MP e determinou a prisão de Mendes. Ele afirmou que a liberdade concedida não pode ser uma oportunidade para novos crimes, como o uso de documento falso, e destacou que a tornozeleira ficou descarregada por 27 horas.

O magistrado rejeitou a defesa que alegava um possível surto de saúde de Mendes, ressaltando que a manutenção da liberdade representa risco à ordem pública. Para ele, o uso do documento falso indica intenção clara de escapar da ação da Justiça.

A defesa nega qualquer violação das medidas e informou que recorrerá da prisão preventiva.

Informações sobre a empresa

João Ricardo Rangel Mendes e seu irmão, João Eduardo Mendes, fundaram a Hurb em 2011, no auge dos sites de compras coletivas no Brasil. A empresa se especializou na venda de pacotes de viagem, passagens e hospedagem para o público brasileiro.

Em 2023, a Hurb anunciou que havia operado viagens para mais de 400 mil pessoas em um ano e que vendia uma diária de hotel a cada cinco segundos.

A plataforma oferecia um sistema de datas flexíveis, permitindo que os clientes escolhessem opções de viagem com confirmação até 30 dias antes do embarque.

Durante a pandemia da covid-19, a empresa vendeu pacotes promocionais com validade de até dois anos. Porém, após a retomada do setor em 2022, enfrentou dificuldades financeiras para cumprir os acordos, gerando insatisfação dos clientes, que classificaram as práticas da empresa nas redes sociais como problemáticas.

A Hurb entrou com pedido de recuperação judicial em 2024, já enfrentando problemas para honrar os pacotes comprados pelos clientes anteriormente, resultando em diversas solicitações de indenização.

Mendes deixou a posição de CEO em abril de 2023 após se envolver em polêmicas nas redes sociais, incluindo reação negativa a reclamações e divulgação de dados pessoais de clientes.

Em entrevista ao Estadão, ele admitiu falhas na comunicação com os clientes e afirmou ter sido surpreendido pelas dificuldades financeiras para acessar recursos e cumprir contratos.

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