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Kim Jong-un faz homenagem rara aos soldados mortos na Ucrânia
Em um gesto incomum, Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte, marcou uma homenagem aos soldados norte-coreanos falecidos durante o conflito entre Rússia e Ucrânia. Ele tocou os caixões, mostrando profunda emoção, o que representa uma reconhecida demonstração pública das perdas militares do país neste conflito.
O acontecimento ocorreu no East Pyongyang Grand Theatre, no domingo passado, e contou com apresentações de artistas da Coreia do Norte e da Rússia, além de imagens destacando o pacto de defesa mútua celebrado entre Kim Jong-un e o presidente russo, Vladimir Putin, em Pyongyang, no ano anterior.
Em um telão, imagens exibiam Kim Jong-un em frente a uma fila de caixões cobertos pela bandeira norte-coreana, em homenagem ao primeiro ano do tratado militar entre os dois países.
As imagens mostraram ainda as tropas agitarem suas bandeiras, junto a uma foto de um caderno manchado de sangue, aparentemente pertencente a um soldado norte-coreano recuperado na região de Kursk, na Rússia.
Segundo a agência sul-coreana Yonhap, o caderno continha mensagens como: “O momento decisivo finalmente chegou” e “Vamos lutar bravamente esta batalha sagrada com o amor e a confiança infinitos concedidos pelo nosso amado Comandante Supremo,” referindo-se a Kim Jong-un.
Em abril, Putin e Kim Jong-un confirmaram oficialmente o envio de tropas norte-coreanas, chamando os soldados de “heróis”. Kim também anunciou a construção de um monumento em Pyongyang para homenagear os falecidos e a colocação de flores diante das lápides — um marco para o reconhecimento público das perdas militares pelo regime.
A agência estatal KCNA informou que o evento fortaleceu a confiança nos “laços de amizade e na verdadeira obrigação internacionalista entre os povos e exércitos dos dois países, forjada através do sangue.”
Símbolo de vitória
Após negar por meses o envio de tropas para apoiar a Rússia, o governo norte-coreano agora procura transformar a participação no conflito em um símbolo de triunfo.
— A Coreia do Norte quer apresentar os soldados mortos não somente como sacrifícios, mas como parte de uma narrativa de vitória — ressaltou o pesquisador sênior Hong Min, do Instituto Coreano para Unificação Nacional, em entrevista à Yonhap. — As imagens parecem ter sido divulgadas após ambos os países confirmarem o envio de tropas e o êxito da operação para retomar a região de Kursk.
A televisão estatal KRT exibiu cenas de Kim Jong-un, visivelmente emocionado em certos momentos, e ele estava acompanhado da ministra da Cultura da Rússia, Olga Lyubimova, e de sua filha, Kim Ju-ae. Foi a primeira vez que a mídia oficial mostrou imagens dos soldados enviados à Rússia, acessíveis aos cidadãos norte-coreanos.
Estima-se que cerca de 15 mil soldados da Coreia do Norte tenham sido enviados para a guerra desde o outono passado, sofrendo aproximadamente 4.700 baixas, incluindo 600 mortos. Inteligência sul-coreana indicou possível envio adicional para os próximos meses.
Além das tropas, Pyongyang forneceu grandes quantidades de munição, projéteis de artilharia, mísseis balísticos, entre outras armas à Moscou, em troca de armamentos, tecnologia satelital e suporte econômico do Kremlin.


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