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Laudo descarta queda e confirma agressão na morte de Henry Borel

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Um laudo pericial inovador com reconstrução em 3D, anexado ao processo que tramita no II Tribunal do Júri da Capital, conclui que a morte de Henry Borel, de 4 anos, foi causada por agressões físicas, excluindo a possibilidade de queda acidental. Produzido pela Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (Dedit), como suporte técnico do Ministério Público do Rio, o documento revela um padrão de ferimentos externos e internos que não condizem com um acidente doméstico. Henry faleceu em março de 2021 no apartamento onde morava com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, o médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, localizado na Zona Sudoeste do Rio.

O laudo aponta que as agressões ocorreram dentro do apartamento do casal, com todas as evidências médico-legais, periciais e circunstanciais indicando que os fatos aconteceram no local.

De acordo com os peritos, o conjunto de ferimentos externos e internos, juntamente com a sequência dos acontecimentos descritos em depoimentos e prontuários médicos, confirma que Henry sofreu violência no ambiente familiar.

Causa da morte e ferimentos incompatíveis com queda

Uma das principais conclusões do documento é que a morte resultou de uma laceração no fígado que levou a uma hemorragia interna, causada por impacto contundente. O laudo enfatiza que esse tipo de lesão não resulta em morte imediata, podendo levar de duas a quatro horas até o óbito, intervalo que condiz com a dinâmica dos fatos relatada no processo.

Estimou-se que o falecimento ocorreu entre duas e três horas antes da entrada de Henry no Hospital Barra D’Or, na Zona Sudoeste, isto é, entre 1h30 e 2h30 da madrugada do dia 8 de março de 2021. Ele chegou já sem vida à unidade hospitalar por volta das 4h30, apresentando sinais iniciais de rigidez cadavérica, que costuma surgir entre uma e duas horas após a morte. Além disso, a temperatura corporal registrada estava em 34ºC, três graus abaixo dos 37º considerados normais.

Segundo os peritos, a temperatura do corpo cai cerca de um grau a cada hora, o que reforça o intervalo máximo de três horas desde o óbito até o atendimento médico.

Durante o atendimento, foram observadas múltiplas equimoses — manchas típicas após traumas — em diversas partes do corpo de Henry. Para os peritos, a diversidade dessas lesões descarta a hipótese de queda da cama.

O laudo apresenta um quadro de diversas lesões distribuídas em várias regiões corporais, com características morfológicas compatíveis com o uso de objetos ou superfícies contundentes. A natureza e a localização dos ferimentos indicam que não se trataram de um único acontecimento, mas de uma sequência de agressões.

A severidade e extensão dos danos evidenciam aplicação de força repetida e intensa, configurando um padrão de brutalidade incompatível com um acidente doméstico. O exame descreve equimoses arredondadas, de coloração vermelho-violácea e cerca de 10 milímetros, localizadas em membros superiores, inferiores e costas, contabilizando ao menos 13 lesões externas.

Destaque também para o agrupamento de seis ferimentos na região toracolombar direita, consistentes com golpes sequenciais ou uso de objeto com múltiplas pontas.

Queda descartada pela perícia

Os peritos criminais avaliaram o atendimento no hospital e a perícia realizada no apartamento. Medidas feitas no local indicam que a altura da cama, da poltrona próxima e outros móveis não poderiam causar múltiplas lesões internas e externas no corpo da criança.

Posicionamento da acusação e da defesa

Acusação

Leniel Borel, pai da vítima e assistente de acusação, afirmou que o novo laudo reforça a inconsistência da hipótese de queda ou acidente doméstico. Ele destacou também que a divulgação do laudo às vésperas do julgamento impacta nas expectativas do processo contra Monique Medeiros e Dr. Jairinho, marcado para 23 de março.

— Como pai do Henry, recebo com seriedade toda novidade técnica. Este laudo com modelagem em 3D confirma o que a investigação já indicava há anos: não foi acidente, não foi queda. Isso me toca como pai e fortalece a expectativa de que o júri fará justiça pelo meu filho — declarou.

O assistente de acusação Cristiano Medina da Rocha destacou o trabalho dos peritos e elogiou a robustez do documento.

— O Ministério Público anexou ao processo um Laudo Pericial 3D, que reafirma os pareceres dos legistas da acusação. Eles concluem que Henry foi assassinado no apartamento de Jairo e Monique, na madrugada de 7 para 8 de março de 2021. Segundo os peritos, o conjunto de provas refuta as teses da defesa e confirma as conclusões da acusação — informou Cristiano.

Até o momento, o Ministério Público não se manifestou publicamente.

Defesa

A defesa de Dr. Jairinho reagiu, com o advogado Rodrigo Faucz criticando o laudo e acusando tentativa de manipulação da opinião pública e dos jurados.

— Este novo laudo é uma reconstrução feita pelo próprio MP. As conclusões são assinadas por funcionários que desconsideram muitos elementos importantes. Próximo ao júri, quando a acusação não tem provas sólidas, recorrem a materiais sensacionalistas para influenciar as pessoas — afirmou Rodrigo.

Ele mencionou que a defesa possui recursos em andamento, incluindo habeas corpus e ação contra decisões judiciais, e também aguarda acesso a mais documentos, o que pode alterar a data do julgamento, embora isso não seja prioridade. O advogado expressou confiança na justiça para garantir um julgamento justo e imparcial.

— Seguimos confiando no judiciário para assegurar um julgamento justo, onde os jurados tenham acesso a todas as informações, não apenas as escolhidas para sustentar uma única versão — concluiu.

Até o momento, a defesa de Monique Medeiros não se pronunciou.

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