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Líder da oposição Guanipa desaparece após nova detenção na Venezuela

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A família do Juan Pablo Guanipa, líder opositor, declarou nesta segunda-feira (9) que não sabe onde ele está, poucas horas depois de sua nova prisão, ocorrida após um breve período em liberdade na Venezuela.

Guanipa, de 61 anos, esteve preso por quase nove meses sob acusação de conspiração. Ele foi libertado no domingo à tarde e passou algumas horas em liberdade se dedicando à atividade política: visitou familiares de presos políticos, percorreu Caracas em uma caravana de motocicletas e cobrou a realização de novas eleições.

Essa libertação ocorreu junto com a de outros líderes ligados à figura da opositora María Corina Machado, poucos dias antes da provável aprovação, pelo Parlamento, de uma anistia geral promovida pela presidente interina, Delcy Rodríguez.

Rodríguez governa enfrentando pressões dos Estados Unidos, que realizaram uma incursão militar para capturar Nicolás Maduro em 3 de janeiro.

A organização Foro Penal informou que 426 pessoas foram libertadas desde 8 de janeiro, quando Rodríguez anunciou o início deste processo.

Guanipa saiu das celas da Polícia Nacional no domingo à tarde, mas foi recapturado cerca de 12 horas depois por homens fortemente armados e vestidos à paisana, conforme informou sua família.

María Corina Machado denunciou esse episódio como um “sequestro”. O Ministério Público explicou que o opositor teria violado as condições da liberdade condicional e solicitou sua prisão domiciliar.

“Isso, inicialmente, não foi cumprido”, esclareceu seu filho, Ramón Guanipa, em coletiva de imprensa na segunda-feira. “Não nos informaram onde meu pai está nem para onde será levado.”

“Não recebemos nenhuma informação oficial sobre seu paradeiro”, reiterou. “Exijo uma prova de vida do meu pai imediatamente. Ele não descumpriu nenhuma das condições impostas na liberdade dele e não sabemos onde está.”

Ramón Guanipa denunciou que seu pai está sendo mantido em uma situação de “desaparecimento forçado”, assim como o também opositor Edmundo González Urrutia, que afirma ter vencido Maduro nas controversas eleições de 2024.

A última aparição pública de Guanipa ocorreu em 9 de janeiro de 2025, quando participou de um protesto com Machado contra a posse de Maduro, reeleito em uma eleição tida pela oposição como fraudulenta.

“Acredito que é preciso respeitar a vontade do povo venezuelano”, afirmou Guanipa à AFP pouco depois de deixar a prisão no domingo.

“Em 28 de julho de 2024, o povo se manifestou e tomou uma decisão popular”, acrescentou. “Queremos que ela seja respeitada? Então vamos respeitar, isso é o básico, o lógico. Se não querem respeitar, que acontecerá então é um processo eleitoral.”

Guanipa chegou ao Helicoide, sede do serviço de inteligência e local denunciado por ONGs como centro de tortura, numa caravana de motos. Este local teve seu fechamento decretado por Rodríguez.

Ele fez discursos, abraçou familiares de presos políticos e ergueu o microfone, uma cena incomum até pouco tempo atrás, quando o medo dominava a oposição devido às prisões em massa e à repressão.

Guanipa postou em suas redes sociais “I’m back” (estou de volta), acompanhado de uma imagem em que aparece como o personagem Exterminador do Futuro, metade do rosto robótico, numa referência ao famoso bordão “voltarei”.

Segundo o Ministério Público, ele descumpriu medidas cautelares que proibiam fazer declarações públicas.

“Ele saiu dando declarações e fazendo ameaças”, declarou o procurador-geral Tarek William Saab à AFP. “Violou as condições que o proibiam de falar.”

Porém, a família afirmou que o alvará de soltura obriga apenas à apresentação periódica à Justiça e proíbe a saída do país. “Falar, declarar e expressar opiniões não é crime”, reforçou o filho de Guanipa.

“Não podemos mais permitir que sejam punidos por isso… Qual é o medo? Qual o receio de ter uma liderança presente nas ruas?”, questionou.

A prisão recente de Guanipa mostra a tensão existente entre a necessidade de abrir espaço para atender demandas externas e diminuir pressões internas, e a dificuldade de um sistema em transição aceitar uma oposição organizada, explicou o consultor de risco político Juan Manuel Trak.

“A mensagem que se passa é que o espaço político que Guanipa tentava promover durante seu breve período de liberdade ainda não está pronto”, completou à AFP.

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