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Líder do ELN apoia união de grupos para enfrentar EUA
O comandante do grupo guerrilheiro colombiano ELN, Antonio García, declarou nesta quinta-feira (15) à AFP seu apoio à ideia de unificação das guerrilhas do país com o objetivo de combater os Estados Unidos, após ameaças de ataques terrestres feitas pelo presidente Donald Trump contra narcotraficantes.
Na semana anterior, Iván Mordisco, líder da principal dissidência da extinta guerrilha Farc e considerado o rebelde mais procurado da Colômbia, sugeriu a realização de uma reunião entre comandantes guerrilheiros para resistir a Washington. Essa iniciativa surge em meio à instabilidade na região causada pela captura do ex-mandatário venezuelano Nicolás Maduro por forças americanas.
Se for uma ação para proteger a Pátria contra um invasor estrangeiro, ‘estaremos prontos para lutar juntos’, afirmou García em correspondência enviada à AFP.
A Colômbia e a Venezuela compartilham uma fronteira extensa e permeável de 2.200 quilômetros, onde diversos grupos armados disputam o controle de atividades ilícitas como narcotráfico, mineração ilegal e contrabando.
Após a captura de Maduro em um ataque americano ocorrido em 3 de janeiro, Trump declarou considerar ‘aceitável’ uma incursão militar em solo colombiano.
O Exército de Libertação Nacional (ELN) e o grupo liderado por Mordisco veem essa ação como uma tentativa dos Estados Unidos de se apossar dos recursos naturais da Colômbia. Juntos, esses grupos contam com aproximadamente 9.400 combatentes, conforme estimativas das forças militares colombianas.
Inicialmente, o presidente colombiano Gustavo Petro descartou as ameaças de Trump sobre ataques em seu país, mas depois adotou uma postura mais conciliadora após uma conversa telefônica com o presidente americano, que o convidou para uma reunião na Casa Branca programada para 3 de fevereiro.
O governo colombiano informou que Petro e Trump concordaram em realizar esforços conjuntos contra o ELN na fronteira com a Venezuela.
Quando questionado sobre a possibilidade de iniciar um conflito militar com os EUA, García afirmou que sua organização age de acordo com as necessidades da luta em cada momento.
Os ataques no solo representariam uma intensificação da ofensiva dos Estados Unidos contra supostos cartéis, iniciada em setembro com bombardeios a embarcações no Caribe e no Pacífico, que resultaram em mais de 100 mortos.
Conflitos e negociações
Após um ano de embates nas redes sociais, espera-se que Petro e Trump discutam em fevereiro formas de combater militarmente os narcotraficantes na Colômbia.
Os desentendimentos recentes comprometeram a tradicional cooperação entre os dois países no combate às drogas, considerada fundamental, pois a Colômbia é o maior produtor mundial de cocaína.
García não havia se manifestado publicamente sobre a proposta de Mordisco, a quem Petro compara ao temido narcotraficante abatido Pablo Escobar.
O ministro da Defesa colombiano, Pedro Sánchez, afirmou em visita a Washington que a proposta de união das guerrilhas resulta da percepção de seus líderes de que ‘a ameaça de uma ação letal contra eles é maior atualmente’.
A inteligência da Colômbia acredita que Antonio García resida na Venezuela, país supostamente usado como base de apoio.
As Forças Armadas da Colômbia indicaram que os líderes rebeldes estariam tentando retornar após os recentes acontecimentos na Venezuela.
No entanto, em suas respostas à AFP, García evitou confirmar essas informações, ressaltando que o ELN está focado na Colômbia e que não há êxodo para a Venezuela.
Maduro apoiou as tentativas de negociação de paz de Petro com o ELN. Para o chefe guerrilheiro, tropas americanas mantiveram o ex-presidente venezuelano contra sua vontade.

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