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Lula apoia união regional e uso próprio de minerais importantes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância de que os países da América Latina e do Caribe tenham acesso a todas as fases da cadeia produtiva dos minerais essenciais presentes na região. Ele ressaltou que esses recursos são capazes de ajudar as nações a reconstruírem seu destino, aproveitando suas próprias riquezas para impulsionar o desenvolvimento interno e não para beneficiar outros países.
Essa declaração foi feita através de um discurso lido pelo chanceler brasileiro Mauro Vieira no sábado (21), durante a 10ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em Bogotá.
“Temos uma chance de mudar a trajetória da região, sem repetir o erro de permitir que outras partes do mundo se beneficiem às nossas custas. A criação de um marco regional, com parâmetros mínimos comuns, aumentaria nosso poder de negociação com investidores”, afirmou o presidente.
Lula lembrou que a América Latina possui a segunda maior reserva mundial de minerais críticos e terras raras, essenciais para a fabricação de chips, baterias e painéis solares, que são componentes-chave da revolução digital e da transição energética.
Ele defendeu que os países da região participem de todas as etapas ligadas a esses minerais, desde a extração até o produto final, incluindo o processamento e a reciclagem.
União Regional
Lula enfatizou ainda a necessidade de fortalecer a integração na região, o que considera fundamental diante do atual cenário de instabilidade política e geopolítica. Segundo ele, a fragilização da colaboração entre os países aumenta a vulnerabilidade frente a pressões externas e limita a capacidade de enfrentar desafios comuns.
“A América Latina e o Caribe não pertencem a nenhum poder externo”, declarou Lula por meio do discurso lido pelo chanceler.
“Quando caminhamos unidos, conseguimos superar as turbulências econômicas e geopolíticas mundiais. A Celac é o maior esforço já realizado para afirmar a identidade própria da América Latina e do Caribe no cenário internacional”, acrescentou.
O presidente também defendeu o crescimento do comércio entre os países da região, a integração das cadeias produtivas e o reforço de blocos como o Mercosul, apontando que a integração serve como instrumento para ampliar a soberania e o desenvolvimento regional.
Diálogo Internacional
Ao falar sobre a presidência da Celac exercida pela Colômbia, Lula ressaltou a importância da continuidade do diálogo com a China, União Europeia e África. “Esses países e blocos reconhecem na América Latina e Caribe um potencial que nós mesmos ainda não soubemos valorizar e aproveitar. É contraditório que uma região tão rica ainda enfrente diversas dificuldades”, afirmou.
“Somos potências em energia, biodiversidade e agricultura, mas enfrentamos sociedades com profundas desigualdades e dependência tecnológica. O que falta para sair desse ciclo é liderança política”, acrescentou.
Infraestrutura
Lula também destacou a importância da integração das infraestruturas na região. “É necessário criar rotas terrestres, fluviais e aéreas, do Atlântico ao Pacífico, para facilitar o trânsito de produtos e pessoas”, disse.
Ele enfatizou a necessidade de conexão das redes elétricas entre os países, o que traria segurança e reduziria custos de energia.
“Num mundo com bloqueios marítimos e interrupções no abastecimento de insumos, essa integração torna-se ainda mais relevante”, destacou.
Combate ao Crime Organizado
No texto lido por Mauro Vieira, Lula pontuou que uma região fragmentada favorece o crime organizado, reforçando a urgência da cooperação entre os países latino-americanos e caribenhos para desmantelar as estruturas superiores dessas organizações criminosas.
“Este é um problema global, não só regional. É fundamental combater fraudes, o tráfico de armas proveniente de países ricos, a lavagem de dinheiro em paraísos fiscais e regular o uso de criptomoedas. Medidas isoladas geram resultados temporários. Somente o fortalecimento institucional oferece soluções permanentes”, declarou.
Lula mencionou o Projeto de Lei Antifacção, iniciativa brasileira para aprimorar o combate às organizações criminosas, visando agilizar investigações, sufocar o financiamento e estabelecer mecanismos mais eficazes de responsabilização de grupos violentos.
“Nosso intuito é melhorar a cooperação policial e fortalecer o papel da Polícia Federal no enfrentamento de organizações criminosas e milícias com atuação interestadual e internacional”, concluiu o presidente.

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