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Lula confia em acordo com EUA mesmo após novas tarifas de Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou neste domingo sua confiança na concretização de um acordo com os Estados Unidos durante a visita que planeja realizar ao país no próximo mês. Apesar da recente implementação de tarifas globais de 15% pelo presidente Donald Trump, Lula declarou em entrevista na Índia que acredita ser do interesse de ambas as nações chegar a um entendimento.
Lula optou por não comentar a decisão da Suprema Corte americana que suspendeu a imposição de tarifas recíprocas promovidas pelo governo de Trump.
Como resposta, Trump anunciou tarifas globais de 15%, que, em princípio, não impactam a competitividade das exportações brasileiras, visto que atingem todos os países. O presidente brasileiro mencionou que percebe sinais de resistência dentro do governo americano em negociar e, por isso, pretende tratar diretamente com Trump.
“Tenho a convicção de que, no diálogo, as relações entre Brasil e Estados Unidos retornarão à normalidade. Ambos os países têm interesse nisso. Se algum produto brasileiro for taxado, isso provocará inflação nos EUA e prejudicará o povo americano. Eles já estão cientes disso”, afirmou.
“Também quero dizer ao presidente Trump que não buscamos uma nova guerra fria. Não desejamos favores para nenhum país, queremos relações de igualdade com todos”, complementou Lula.
Lula reforçou que dará prioridade à cooperação no combate ao crime organizado durante sua visita aos EUA. Essa é uma das metas centrais de sua política externa, demonstrada pela presença do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em suas viagens internacionais.
A declaração foi dada ao final da visita de quatro dias do presidente à Índia, com Rodrigues como parte da comitiva oficial. Em dezembro, Lula já havia comunicado a Trump sobre a necessidade de envio ao Brasil dos “chefes do crime” refugiados nos EUA.
“Se o governo americano quiser combater o narcotráfico e o crime organizado, estaremos na linha de frente para eliminar esses problemas definitivamente. Também solicitamos que nos enviem os criminosos que estão em solo americano — brasileiros envolvidos em crimes, como contrabando de gasolina — para demonstrarmos nosso empenho sério no combate ao crime organizado”, declarou Lula. “Queremos trabalhar para que os grandes corruptos sejam punidos com rigor.”
Lula definiu a visita à Índia como um momento significativo nas relações bilaterais devido à reafirmação da parceria estratégica com o governo do primeiro-ministro Narendra Modi e os acordos firmados, incluindo cooperação no processamento de minerais essenciais e na área digital.
“O mais importante é que, nas negociações com a Índia, não estamos lidando com um colonizador. Ao negociar com países ricos acostumados a imperialismos, geralmente enfrentamos autoritarismos e a imposição da lei do mais forte, sem respeito às características de cada nação. Com a Índia é diferente”, ressaltou. “Somos dois países que precisam um do outro, e nenhum é superior ao outro.”

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