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Lula contata líderes da América Latina por rótulo de cartéis como terroristas

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou conversas por telefone com presidentes aliados da América Latina em meio a controvérsias com o governo de Donald Trump, que planeja classificar organizações criminosas brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.

Os Estados Unidos consideram essas facções como uma ameaça grave à segurança regional e prometem tomar medidas rigorosas contra envolvidos em ações terroristas.

Desde a última segunda-feira, Lula já falou com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e nesta quarta-feira, foi a vez do presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Ambos os países tiveram seus cartéis de drogas classificados como grupos terroristas estrangeiros pelo governo Trump no ano anterior.

Embora Lula possa buscar uma declaração conjunta com seus parceiros, a decisão de rotular um grupo como terrorista cabe exclusivamente ao governo americano. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, abordou a questão da segurança pública com o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Essa situação gera mais atritos nas negociações recentes para uma visita de Lula a Trump em Washington, ainda sem data confirmada. Fontes do Palácio do Planalto e do Itamaraty acreditam que o governo dos EUA foi influenciado por grupos ligados ao ex-presidente Bolsonaro, o que poderá prejudicar a relação bilateral e as perspectivas eleitorais de Lula.

O objetivo principal da classificação é impor sanções que facilitem o congelamento de ativos ligados ao narcotráfico, investigação e vigilância de membros dessas organizações, troca de informações de inteligência, restrições financeiras, bloqueio de vistos e criminalização do suporte material, como armas ou dinheiro.

Apesar da lei americana não permitir ataques militares baseados nesta designação, é frequente que grupos considerados terroristas sejam alvo de ações militares dos EUA fora do seu território. Essa é uma preocupação para o governo brasileiro, especialmente após a operação militar em Caracas contra o ditador Nicolás Maduro e o enquadramento como terroristas das facções venezuelanas Tren de Aragua e Cartel de Los Soles.

O argumento contra o narcotráfico tem servido para posicionar meios militares americanos no Mar do Caribe. Ataques a embarcações suspeitas demonstraram escalada militar que preocupou Lula, Sheinbaum e Petro, que condenaram as ações apoiadas por Trump.

Recentemente, uma operação conjunta das forças mexicanas, com apoio de inteligência americana, resultou na morte de El Mencho, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación. A retaliação dos traficantes causou desordem nas cidades mexicanas.

Lula deve participar em breve da cúpula da Celac, marcada para 21 de junho em Bogotá, onde o tema será discutido, embora o governo saiba que críticas às políticas de Trump podem ser bloqueadas por aliados dos EUA.

Quanto à conversa com Gustavo Petro, o governo afirmou que ambos falaram sobre a integração regional e preparativos para a cúpula da Celac, além da confirmação de participação no evento “Em Defesa da Democracia” em Barcelona, em 18 de abril.

Sobre a ligação com Claudia Sheinbaum, o Palácio do Planalto informou que discutiram relações econômicas e cooperação na área energética. Lula convidou a presidente mexicana para visitar o Brasil entre junho e julho, acompanhada de empresários. Detalhes sensíveis dessas conversas não são divulgados oficialmente.

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