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Lula critica senadores e gera tensão antes de análise de Messias
A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizendo que senador “se acha Deus” causou desconforto entre líderes e parlamentares, complicando o cenário político num momento delicado para o governo, pouco antes da avaliação da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Essa afirmação foi feita em entrevista à TV Cidade, no Ceará, ao destacar a importância de ampliar alianças no Congresso. Na ocasião, Lula mencionou:
“Governador mantém relação civilizada com o presidente da República porque precisa do presidente. Senador com mandato de oito anos pensa que é Deus. E pode criar muitos problemas se você não tiver uma base de sustentação.”
Nos corredores do poder, o comentário foi visto como um incômodo, pois o Planalto tenta diminuir resistências no Senado. Muitos parlamentares avaliam que, ao generalizar a crítica, Lula acaba afetando também senadores que não fazem parte da oposição, grupo que atualmente detém votos cruciais na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A reação mais forte veio da oposição. O líder oposicionista no Senado, senador Rogério Marinho (PL-RN), comentou que falas desse tipo favorecem os adversários:
“A melhor propaganda que a campanha nos proporciona é Lula falando.”
O senador Hamilton Mourão (RS), vice-líder do Republicanos, comentou que o discurso pode aumentar a resistência à indicação:
“Foi um discurso típico de alguém que acredita que o Legislativo só funciona se for submisso. Isso não é democrata. Pode aumentar a rejeição ao Messias. Estamos atuando para evitar sua aprovação.”
Entre senadores moderados, a reação pública foi mais discreta, mas com ressalvas. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) expressou que o episódio provavelmente não mudará a agenda:
“Deus é só um. A postura não é a ideal, mas não creio que vá afetar os trabalhos.”
De forma reservada, senadores do MDB, PSD e União Brasil informaram que a declaração complica a articulação governista e pode esfriar negociações, principalmente entre parlamentares ainda indecisos sobre a indicação.
Alguns parlamentares interpretaram a fala de forma mais política. Para o vice-líder do PP no Senado, senador Esperidião Amin (SC), Lula estava se dirigindo à sua própria base:
“Ele está reclamando dos que o apoiam, aqueles que convivem com ele.”
Na mesma linha, o senador Angelo Coronel (PSD-BA) diminuiu o impacto da fala na indicação:
“Senador pode até se achar Deus. Lula não se acha. Ele quer ser. Messias, pelo estilo dele, é independente de Lula.”
Do lado governista, senadores que preferiram não se identificar consideraram a declaração como “infeliz” e reconhecem que o momento não ajudou. Internamente, o governo entende a necessidade de melhorar a relação com o Legislativo.
Ruídos intensificam relação desgastada
O incidente acontece numa fase de relação já complicada entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Lula anunciou que enviará a indicação de Messias para o STF sem avisar previamente a data ao senador, segundo apoiadores.
A indicação enfrentava resistências desde novembro, quando Lula escolheu Messias contrariando a preferência de Alcolumbre e da liderança do Senado pelo ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Esse episódio gerou desgaste entre o Planalto e o comando do Senado, ainda não completamente resolvido.
Nos bastidores, a avaliação é que a nova declaração não modificará a postura de Alcolumbre, mas reforça o distanciamento. Aliados dizem que ele evitará se posicionar publicamente no conflito.
Segundo as regras, cabe a Alcolumbre decidir quando enviar a indicação à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa fundamental para a sabatina, sem prazo definido para essa decisão.
Esse quadro ocorre enquanto o governo enfrenta dificuldades de articulação no Congresso em outras frentes, como a tentativa de avançar com a PEC da Segurança Pública, que é prioridade do Planalto, mas que aguarda na mesa de Alcolumbre para começar a tramitação na CCJ.


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